17 de dez de 2015

O péssimo ano do futebol carioca no campeonato brasileiro 2015

A confirmação do rebaixamento do Vasco coroou o péssimo ano cruzmaltino, mas também serviu para fechar com “chave de ouro” o terrível ano de 2015 para o futebol do Rio de Janeiro. Depois da conquista do famigerado Campeonato Carioca, a cúpula vascaína e boa parte da torcida acreditaram em bravatas como “O respeito voltou” e de que o Vasco seria capaz de brigar pelo título brasileiro. Resultado? O time entrou no Brasileirão com um elenco muito abaixo da crítica, mas com as expectativas elevadas.
A tragédia estava anunciada: depois de um primeiro turno tenebroso, com apenas 13 pontos somados, nem mesmo a boa campanha do segundo turno foi suficiente para salvar o Vasco do seu terceiro rebaixamento em oito anos. Ao lado do Vitória, o Vasco é o time que foi rebaixado mais vezes na história dos pontos corridos. Mas a grande culpa desse rebaixamento não é dos jogadores, que lutaram com muita garra até o final, mas sim do presidente Eurico Miranda. 
Além de passar o ano inteiro com uma postura arrogante, o mandatário sempre tentava desviar o foco dos problemas do Vasco, principalmente após o titulo do Carioca e depois de vitórias contra os rivais Flamengo e Fluminense. Como se não bastasse, Eurico voltou ao Vasco com o mesmo pensamento que tinha em sua primeira passagem pelo clube, durante toda a década de 2000, quando usava do coronelismo para obter vantagens e passar por cima dos obstáculos. 
A atual gestão cruzmaltina ainda conseguiu trazer mais dívidas para o clube. Depois do péssimo primeiro turno, o dirigente vascaíno ignorou as limitações financeiras e fez várias contratações de peso a fim de salvar o time do rebaixamento. Desesperado para manter de pé o discurso de que “com Eurico o Vasco não cai”, o clube aumentou sua folha salarial em R$ 1,5 milhão com a chegada de apenas quatro jogadores: Andrezinho, Herrera, Jorge Henrique e Nenê.
Agora, o cenário do Vasco é bem preocupante, uma vez que o mandato de Eurico Miranda e sua turma vai até o final de 2017. As notícias mais recentes já dão conta até de um possível afastamento do presidente. A perspectiva de futuro para os vascaínos é, na melhor das hipóteses, uma incógnita. A tendência não é de melhora. Se o Vasco viveu um ano de terror, a dupla Fla-Flu não foi tão mal assim, mas também não tem motivos para comemorar. Dentro de campo, sobraram decepções para rubro-negros e tricolores. Na Série A, Flamengo e Fluminense terminaram praticamente juntos na tabela. Após o excelente primeiro turno do Tricolor e ótimo começo de returno do rubro-negro, os times acabaram o campeonato em 12° e 13° lugar. Ao mesmo tempo em que chegaram a sonhar com a Libertadores, em dado momento os times também se preocuparam com a Série B, deixando clara a inconstância das duas equipes.
A dupla também protagonizou um fato constrangedor para times grandes do futebol brasileiro: um turno inteiro de derrotas. Tanto Flamengo quanto Fluminense conseguiram o feito de perder 19 jogos na Série A. Somente os rebaixados Goiás e Joinville acumularam mais derrotas. Até mesmo o Vasco conseguiu perder menos jogos que os rivais. Fora de campo, o ano de Fla e Flu também ficou marcado por um show de trapalhadas. Pelo lado rubro-negro, a preocupação com a eleição foi tanta que o presidente Eduardo Bandeira de Mello se mostrou completamente ausente e despreparado na hora de comandar o futebol. Um dos exemplos claros disso foi quando o presidente, após o afastamento do “Bonde da Stella”, chegou a afirmar que não estava por dentro do assunto.
 Pelo lado tricolor, após o clube ter feito o pior turno de campeonato da sua história, com apenas 14 pontos ganhos no segundo turno, o vice-presidente de futebol Mário Bittencourt ainda classificou o ano do Fluminense como positivo. Como se não bastasse, a dupla protagonizou o maior troca-troca de técnicos do futebol brasileiro em 2015: ao todo, sete treinadores diferentes passaram pela Gávea e pelas Laranjeiras na temporada. O ponto positivo, a princípio, para Flamengo e Fluminense foi o rompimento com a FERJ. Resta saber o quanto a dupla está realmente unida nessa briga, ou se cada um está pensando somente em seus próprios interesses. Páginas para um próximo capítulo.
Dentre os quatro grandes, o único que terminou o ano de maneira positiva foi o Botafogo, com a conquista de Série B. Em uma análise geral, a campanha foi tranquila, uma vez que o clube permaneceu 37 rodadas no G-4, sendo 29 delas na liderança da competição. No entanto, vale ressaltar que a trajetória alvinegra só não foi mais conturbada graças ao baixo nível dos rivais, incapazes de destronar o Botafogo mesmo em momentos de instabilidade.
 Fora de campo, os dirigentes alvinegros também cometeram suas gafes. A demissão de René Simões, por exemplo, nunca foi bem explicada. O ex-técnico alvinegro afirma que o principal motivo foi não ter explorado os garotos da base – sendo que seu sucessor, Ricardo Gomes, usou menos ainda os jovens. Já o presidente Carlos Eduardo Pereira nunca deu razões específicas, dizendo apenas que o treinador “não estava atendendo a algumas solicitações da diretoria”.
 Além disso, o apoio do Botafogo à atual gestão da FERJ é ponto negativo em ano que o clube buscou sua reestruturação. Se a ideia é melhorar e crescer, manter velhas políticas do nosso futebol não parece ser o melhor caminho, vide o que aconteceu com o Vasco.
Mas não foram só os grandes do Rio que tiveram um ano para esquecer. Com as quedas de Macaé e Madureira, nas Séries B e C, respectivamente, o estado conseguiu um feito inédito: todas as divisões nacionais tiveram um clube carioca rebaixado. A Série D não rebaixa nenhum clube, mas os times do Rio também fizeram feio: nenhum dos três representantes, Duque de Caxias, Resende e Volta Redonda, foi capaz de se classificar para as fases finais.
 E a esperança de dias melhores para os pequenos do Rio parece bem distante. Enquanto esses clubes forem reféns da federação, o cenário dificilmente mudará.
É necessário que haja uma união dos pequenos e dos grandes times do Rio para tentar tirar Rubens Lopes e sua turma do poder.
 Nem mesmo o ano pífio dos times do Rio faz com que os mandatários da FERJ tomem alguma medida. A grande preocupação deles é impedir a realização da Liga Sul-Minas-Rio, através de meios escusos, como, por exemplo, reduzindo as cotas de TV de Flamengo e Fluminense em caso de “rebeldia”.  Valorizar o Campeonato Carioca? Reduzir as taxas abusivas? Criar um calendário mais curto e competitivo para os times do Rio? Nada disso parece preocupar Rubens Lopes...
 A verdade é que os clubes cariocas com maiores motivos para sorrir em 2015 foram America e Portuguesa. 
Apesar da má campanha na Copa Rio (que não passa de um torneio tapa-buraco da FERJ, sem apoio e sem estrutura), o Diabo conquistou a Série B do Estadual e voltará à elite carioca após quatro anos. A Lusa, além do vice na Copa Rio, ficou em segundo lugar na Série B e também retornará em 2016.

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