1 de jan de 2015

Aldeir Torres - Primeira mulher gerente de futebol,

 Silvani faz história no São Cristóvão


O universo feminino está ganhando cada vez mais espaço dentro do futebol profissional, uma área que os homens historicamente sempre dominaram. Mas, em um clube do Rio de Janeiro, tem gente fazendo a diferença de um jeito ainda maior e que chama cada vez mais atenção. Silvani Maria, 42 anos, assumiu recentemente o cargo de gerente de futebol do São Cristóvão, sendo a primeira mulher a ficar responsável por essa tarefa em quase 120 anos de História do clube. Por si só, isso já seria um grande feito, mas ela não é marinheira de primeira viagem: só chegou à Figueirinha pelo trabalho que exerceu em outras equipes de menor investimento do Rio, nas últimas temporadas. Radicada em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, Silvani chegou ao clube de seu bairro em 2007, tendo passado também pelo Grêmio Mangaratibense. Mais recentemente, esteve à frente do São Pedro, na Série C do Campeonato Carioca. No São Cristóvão, chegou sob indicação do também dirigente Marcos Barcellos. Há quase uma década se entregando aos bastidores do futebol, ela é a única mulher a gerir a modalidade num clube carioca e, provavelmente, em nível nacional. Tarefa árdua, mas que a dirigente diz ser capaz de honrar, além de se ver como referência para outras mulheres que desejam quebrar o preconceito e mostrar seu trabalho.


- No futebol, a gente sabe que as mulheres são vistas por alguns homens com os olhos atravessados. A gente sofre todo tipo de preconceito. Eu mesma já passei por assédio sexual, moral... Mas pude estabelecer um respeito dentro de um trabalho ao longo do tempo. Minha ideia é mostrar que sou capaz, competente, e que outras mulheres também podem ser, desde que sejam comprometidas - diz ela, ao FutRio.net.


Às 14h30 de um dia normal de treinamento, Silvani não pára: está na sala da gerência do São Cristóvão, organizando os últimos ajustes para a avaliação dos jogadores. Busca roupas dos atletas, distribui kits com colete, calção e meiões a eles. Mas não antes de andar para cima e para baixo, ajustando detalhes de documentação e orientando atletas que acabam de chegar ao clube. Isso tudo depois de pegar pelo menos duas horas de estrada para chegar à Zona Norte do Rio, vinda da cidade onde mora, São Pedro da Aldeia, a 140 km de distância. E esse trajeto é feito todos os dias. Uma verdadeira "faz-tudo" da Figueira de Melo:


- Sempre tive um lado muito ativo, costumo dizer que sou hiperativa. Faz parte da minha natureza e a gente sabe que a condição do futebol carioca não nos permite ficar sentados, só fazendo o trabalho que seria de um gerente. A gente tem que colocar a mão na massa, pegar um uniforme, ir no vestiário conversar com o roupeiro, fazer uma garrafa com gelo para o jogador que se machuca. A diretoria daqui até admitiu que me contratou justamente por causa desse meu estilo.

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