19 de nov de 2014

Aldeir Torres - Abrindo o jogo.

Mil reais é o preço da vingança


Nenhum jogo pode valer mil reais. Talvez uma final de Copa do Mundo, no melhor lugar. De resto, é um abuso. O preço que o Cruzeiro cobrará da torcida do Atlético (e, consequentemente, de sua torcida) é um abuso. O motivo? Retaliação. Quem paga a conta? O torcedor. Desde que se definiu a final entre Atlético e Cruzeiro, a briga começou. Primeiro Alexandre Kalil rompeu o acordo de cavalheiros que havia sido firmado no STJD. Havia ficado acordado que nenhum dos clubes pediria ingresso quando o rival fosse mandante. Kalil rompeu, pediu na sexta à tarde, a vistoria da polícia só foi feita na segunda e, apenas na terça-feira o Cruzeiro poderia vender ingressos para seu torcedor para o jogo de quarta.


Aparentemente o Cruzeiro, ao desistir das entradas, mostrava passividade. Ou gentileza ao extremo. Mas a réplica veio com o preço: mil reais por entrada. E apenas 4,5% da carga (2.736 ingressos). A polícia irá decidir se a carga será essa ou poderá ser maior. Enfim, de um lado ou do outro, o desejo parece ser de levar vantagem. Primeiro o Atlético, depois o Cruzeiro. Impossível saber se o Cruzeiro fosse o primeiro mandante a história seria a mesma. Mas ninguém aliviou. Se dentro de campo até cobrança de lateral vira quase pênalti, fora dele qualquer mínima vantagem parece ser válida.
Em nenhum momento houve boa vontade de promover um grande jogo. O Atlético quis levar vantagem jogando no Independência – o que é válido. O Atlético se sente em casa nos dois estádios, o Cruzeiro apenas no Mineirão. Seria mais grandioso dois jogos no Mineirão, com torcida dividida. Mas em um clássico desse tamanho é mais importante vencer do que ser grandioso. O problema é a mesquinha briga por ingressos. E só há um perdedor.


Já prevejo cruzeirenses e atleticanos vindo até aqui defender seus dirigentes com ataques e xingamentos. Normal. Hoje se torce pelo dirigente, como se os fins justificassem os meios. O problema é o torcedor não perceber que ele é o prejudicado da disputa territorial entre diretorias. Não entender que no meio dessa briga é ele quem vai pagar a conta. Do ingresso que começa com 200 reais até o que vai a 1.000 – o preço da vingança. E o cruzeirense também irá pagar pela vingança. Quem estiver no mesmo setor da torcida atleticana, porém do lado azul, deverá também pagar os mil reais. Kalil e Gilvan divergem. E atleticanos e cruzeirenses pagam. A briga da final da Copa do Brasil me mostra que cada dia mais, não existe Galo ou Raposa. Torcedor hoje é vaca. E vaca, amigo, tem que dar leite.

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