1 de jun de 2014

Aldeir Torres - Abrindo o jogo.

A overdose de seleção e a irritação de Scolari com o time


É uma overdose de seleção brasileira. Para onde se olha, o que se escuta, o que se lê. É impossível fugir das entrevistas iguais em todos os canais e o tempo parece não passar na Granja Comary. Em tempos que pouca coisa acontece, o coletivo de domingo, transmitido ao vivo pela TV, chama atenção: cinco gols e Luís Felipe Scolari insatisfeito dizendo “foi tudo errado”.

Em primeiro lugar: Felipão não era um grande jogador, mas é extremamente habilidoso com as palavras. Sabe que uma frase dessa evitará o oba-oba, deixará jogadores alertas, mostrará que ele é perfeccionista e que vai ajeitar os ponteiros. Duvido que Scolari pense que está tudo errado, mas acredito que passar um recado, há 10 dias da estreia, seja estratégico e positivo.


Porém, assistindo ao treino, mesmo com as mudanças feitas no time, é possível sim ver ao menos duas situações inaceitáveis. Os titulares venciam por 3 a 0 e permitiram dois gols dos reservas. Dois gols em contra-ataques.

Um time que vence por três gols não pode permitir que seu adversário marque duas vezes em contragolpes de dois contra dois. Até porque o que o Brasil mais vai encontrar durante a Copa do Mundo são adversários fechados, marcações que tirem o espaço e obriguem o time de Felipão a se expor. E não ser surpreendido com a defesa aberta é tão importante quanto criar as oportunidades.

O segundo gol, a última jogada do coletivo, sai em novo contra-ataque. Depois de escanteio para os titulares, Neymar pega o rebote na linha lateral e tenta um elástico. Sem necessidade, sem relevância, sem ser concluído. Os reservas roubaram a bola e partiram com Hulk e Willian para o segundo gol.


É óbvio que treino é uma coisa e jogo é outra. Claro que talvez em um jogo de Copa, Neymar não arriscasse uma jogada tão estúpida. Mas é importante também cobrar, é fundamental se irritar com esse tipo de lance. Um torneio de sete jogos em um mês, em que quatro partidas são mata-mata, um erro bobo, um ponteiro mal ajustado, é o suficiente para uma eliminação.

Em uma semana que o frio, o cabelo dos jogadores, quem tem mais medo de agulha e o futevôlei lotaram os noticiários, a principal notícia (ao menos para mim) é o que o campo mostra: um time que não pode sofrer dois gols como sofreu.

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