22 de mai de 2014

Aldeir Tôrres - São Paulo:

 Longe do médico, perto do monstro.


Vem o São Paulo para o jogo. Com Luís Fabiano, Ganso, Pato. Mas também com Antônio Carlos, Paulo Miranda e Reinaldo. Quando o time sobe para o gramado o torcedor não sabe o que esperar. Será o dia do time que segura e empata com o campeão Cruzeiro? O time que faz 3-0 naturalmente no Botafogo? Aquele que vai ao Maracanã e domina o Flamengo? Ou quem vai dar as caras é o time que perde para o CRB? O que sua para empatar com o Coritiba em São Paulo? A equipe que vai ao mesmo Maracanã faz 2 a 1 no Fluminense em 45 minutos e depois toma um 4-0 em meia hora de jogo após o intervalo?

O torcedor nunca sabe. Ninguém sabe. Há mais de um século, o escocês Robert Louis Stevenson escreveu “O Médico e o Monstro”. A trama consiste em um médico e pesquisador que acredita que todos têm um lado bom e ruim. Desenvolve uma droga que comprova sua tese e vira refém de sua própria invenção.


Quando o São Paulo entra em campo ainda é impossível saber se é dia do médico ou dia do monstro. Contra o Fluminense no Maracanã as duas faces apareceram e, assim como no romance, o lado ruim domina a metade boa e racional.

Falhas individuais, espaços generosos, falta de atitude, ataque que deixou e existir e chutar em gol. O São Paulo do segundo tempo só não se mostrou irreconhecível porque o são-paulino conhece muito bem esse lado sombrio do time que se desconecta na mesma velocidade em que consegue se encontrar em campo.

O Fluminense teve seus méritos. Abafou, pressionou, tem qualidade individual de Walter, Sóbis, Conca e Wagner e um time bem posicionado por Cristóvão Borges. Mas sem uma parcela de culpa do outro lado seria muito difícil fazer quatro gols em 30 minutos.

Todos os times no Brasil tem um quê de Dr. Hyde. E tem também os seus bons momentos. O próprio Fluminense esteve muito abaixo no primeiro tempo. O Cruzeiro jogou mal contra o Sport, o Grêmio custou a virar o jogo contra o Botafogo. O que garante o equilíbrio no futebol brasileiro é justamente a inconstância das equipes. O Corinthians foi capaz de ser campeão do mundo em 2012 e terminar na metade de baixo do Brasileiro em 2013.


A questão é que o São Paulo exagera do direito de oscilar. Pior ainda, para o são-paulino: o monstro tem aparecido muitas vezes mais que o médico. E o time do monstro fica no máximo no meio da tabela. Ou o criador Dr. Jekyll domina a criatura Dr. Hyde, ou o clube que mais ganhou dinheiro no Brasil em 2013 terá que se remoer vendo os que erram menos disputando o título, muito distante de suas mãos.

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