25 de mai de 2014

Aldeir Tôrres - Liga dos Campeões.

O dia que o milagre virou a casaca.


Tudo, absolutamente tudo que o Atlético de Madrid faz, se aproxima de um milagre. Venceu um campeonato de regularidade, de 38 partidas, deixando para trás Real Madrid e Barcelona. Na Liga dos Campeões deixou Milan, Barça e Chelsea pelo caminho. Com suor e coração construiu um dos melhores momentos de sua história. Do outro lado o primo rico da cidade. O poderoso, forte, rápido Real Madrid atrás de seu décimo título europeu. Depois de fazer 5 a 0 no Bayern de Munique na semifinal e se afastar da disputa no Campeonato Espanhol, se concentrando apenas na final de Lisboa e em recuperar seus jogadores, parecia que só mais um milagre poderia dar o título ao Atlético.

Depois de se machucar no último sábado, Diego Costa parecia simbolizar o milagre colchonero. O milagre da cura. Se recuperou em cinco dias, treinou duas vezes….e durou oito minutos em campo. Quando Diego saiu não ficou para trás apenas o artilheiro do Atleti, mas uma substituição que tanta falta faria. Ali, pela primeira vez, o milagre deixou o time de Simeone na mão.


O Real Madrid tinha imensas dificuldades de jogar, teve só uma chance na primeira hora de jogo, com Bale. Casillas falhou na única que vez que foi exigido e Godín adiantou seu time no marcador. O segundo tempo passou como a maioria dos jogos em que o Atleti está em campo: ninguém entra na defesa, todas as divididas são do time vermelho e quando alguém depois de muito esforço vence a defesa, há Cortouis para salvar.

Por mais que se critique as atuações de Cristiano Ronaldo, Benzema e Bale (até o segundo tempo da prorrogação), há de se levar em conta que é quase impossível jogar quando se tem o time de Simeone pela frente. Se vai para a ponta, Ronaldo teria quatro ou cinco marcadores para vencer; se fica na área, é encaixotado pela marcação que não deixa o atacante respirar; se volta para buscar o jogo na intermediária, vê duas paredes vermelhas e brancas pela frente.

A melhor retranca do futebol atual parou o Real Madrid por 90 minutos. Não foi o suficiente. Quando não havia mais o que fazer se não esperar por um milagre…os Deuses do Futebol mudaram de camisa. Aos 48 minutos Sérgio Ramos, o herói de Munique, apareceu para empatar. O Real Madrid estava vivo, tinha mais pernas, mais 30 minutos para pressionar um time que neste momento já não tinha pernas, só coração.

A prorrogação não teve outra cara. O Real Madrid estava refeito e confiante, o Atlético se segurava. Enquanto deu. Depois de jogada de Di Maria, o melhor em campo, Bale pegou o rebote para fazer o gol do título. Bale custou 100 milhões de euros, todos falaram que absurdo seria pagar isso por um jogador. E o galês fez o gol dos dois títulos madridistas na temporada. Continua sendo um absurdo, mas os troféus, sobretudo “La Décima”, obsessão em Chamartín, ajudam a amortizar o valor. Marcelo e Ronaldo ainda marcaram. Em 10 minutos o Real marcou três vezes e o placar é a exata diferença entre a alegria e explosão branca e o gosto amargo vermelho.


Assim como em 1974, ano de sua primeira decisão, o Atlético vencia até o último minuto. Daquela vez o Bayern empatou no minuto 120 de jogo. Na partida desempate, os alemães fizeram 4-0 e foram campeões. O mesmo enredo quase 40 anos depois. Incrível coincidência, incrível fim decepcionante para um time que não parecia ter limite.

O Atlético foi mais longe que todos esperavam. E quando parecia que nem precisava mais do milagre, mas apenas de sua força, o destino foi cruel. O milagre se ofereceu ao Real Madrid.

A décima Champions vai para o Santiago Bernabéu. O Real Madrid já é ótimo time e na final ainda teve um milagre para lhe salvar. Assim fica impossível para qualquer um. Até para o Atlético.

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