13 de mai de 2014

Aldeir Tôrres - Fernanda Colombo.

 Não tem que ser gostosa, tem que ser árbitra.


Vocês vão me desculpar porque eu sei que minha opinião dessa vez é bem diferente da maioria. Alexandre Mattos se irritou com Fernanda Colombo que errou um impedimento injustificável, por mais de 3 metros. As declarações de Mattos foram:

“Ai a gente pega essa bandeira, bonitinha, que estava ali no canto. Os caras gritam no ouvido dela e como ela não tem preparo, levanta a bandeira, porque fica apavorada. Isso porque ela tinha errado na rodada passada, o São Paulo fez as reclamações e ela ganha de presente isso. Provavelmente ela vai ganhar um clássico de presente na próxima rodada do Brasileiro. Estão tentando promover ela porque ela é bonitinha e não é por ai. Ela tem que ser boa de serviço, profissional e competente. O erro dela foi muito, muito, muito anormal, coisa de quem está começando uma carreira”.


Por isso, Mattos é acusado de machista. Afinal, não é porque uma mulher é bonita que ela precisa posar nua. Com esse raciocínio, o julgamento a Mattos me parece correto, mas não penso que foi isso que ele quis dizer.

As críticas (como normalmente Mattos as faz, exaltado e com pouco filtro, que depõe contra ele, principalmente porque em teoria Fernanda passou nos testes teóricos e físicos e está apta a apitar) são feitas em relação ao trabalho de Fernanda. De sua incompetência, em dois jogos seguidos, com erros grotescos. A auxiliar tem 23 anos, bem mais jovem que a maioria dos árbitros que trabalham na primeira divisão – a média é de 37 anos, segundo matéria no site da ESPN Brasil.


Se Fernanda Colombo se destaca tão cedo não há problema em coloca-la na primeira divisão. O problema é que Fernanda não mostra isso com o seu trabalho. Muito provavelmente está ali por quê? Porque é uma isca. Bonita, vira um atrativo. Se o jogo é ruim, pelo menos tem a Fernanda. Gera assunto e piadinhas machistas relacionadas ao combo gostosa-bandeira levantada-impedimento.


Escala-la somente pela beleza me parece muito mais machista do que qualquer declaração. O dirigente dizer que se é para trabalhar apenas com a beleza, o lugar para isso é uma revista masculina não me parece um comportamento inadequado.


Futebol é caro demais, um erro pode gerar desdobramentos dos mais variados. E os árbitros acertam e erram. Nunca se fala sobre atributo físico de ninguém, porque ninguém parece estar ali por esse motivo. Para trabalhar só com futebol, Fernanda tem que ser árbitra e não “gostosa”. E hoje a vejo muito mais gostosa do que árbitra. Uma coisa não anula a outra, ela não precisa ser feia para ser respeitada, mas nesse caso o que parece é que sua beleza sobrepõe a sua falta de capacidade em grande dimensão. E criticar isso não me soa machismo.

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