27 de mai de 2014

Aldeir Tôrres - Copa do Mundo.

Com craques no limite e longas viagens, físico ganha papel decisivo na Copa.


Vinte e três jogadores receberam votos na última eleição da Fifa para o melhor jogador do mundo. Vinte deles jogarão a Copa do Mundo no Brasil, ou pelo menos suas presenças são aguardadas. A temporada 2013-14 do futebol europeu, encerrada no último sábado com a final da Liga dos Campeões, deixou sequelas na maioria dos astros. Seja por lesão ou desgaste físico, 12 se apresentaram às suas seleções em condições preocupantes.

Ter mais ou menos jogos em sequência nem foi o fator determinante na hora de analisar o desgaste dos jogadores. O uruguaio Luis Suárez, por exemplo, tinha apenas o Campeonato Inglês como compromisso com o Liverpool na reta final da temporada e fechou 2013/14 com 37 aparições, o que não impediu que o atacante precisasse passar por uma cirurgia no menisco do joelho esquerdo na esperança de estar saudável na Copa. O português Cristiano Ronaldo foi a campo 47 vezes pelo Real Madrid no período, e uma lesão muscular na perna esquerda impactou em seu rendimento na reta final do Campeonato Espanhol e na Liga dos Campeões. Mesmo tendo marcado de pênalti na final europeia contra o Atlético de Madrid, o melhor do mundo foi um dos mais apáticos em campo no Estádio da Luz.

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Entre os 23 da eleição da Fifa, o alemão Thomas Müller e o espanhol Andrés Iniesta foram os que mais jogaram nesta temporada: 50 vezes. Ambos se apresentaram às seleções em condições consideradas ideais. Com 49 aparições, o marfinense Yaya Touré está no Catar se tratando de uma lesão muscular. O goleiro alemão Manuel Neuer, com o mesmo número de partidas no período, machucou o ombro direito e não participa dos amistosos preparativos de seu país visando o Mundial, assim como o lateral Philipp Lahm (46 jogos).

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Lesões também impactaram na decepcionante temporada do Barcelona. Enquanto o argentino Lionel Messi, 44 jogos, mostrou dificuldades para atuar 100% nas últimas rodadas do Campeonato Espanhol, o brasileiro Neymar, 39 partidas, nem sequer foi a campo nesta reta final por conta de um problema no pé esquerdo.


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Driblar a exaustão e lutar para ter condições ideais após meses de inatividade viraram os principais adversários dos países em um Mundial já marcado pelas longas viagens - a seleção dos Estados Unidos, por exemplo, romperá a barreira dos 7 mil quilômetros percorridos apenas na fase de grupos. Há quem julgue que a questão física decidirá jogos nesta Copa. A situação foi tema de muitas reclamações dos técnicos durante congresso realizado pela Fifa em fevereiro deste ano, em Florianópolis. "Não é uma Copa do Mundo em um país. É uma Copa do Mundo em um continente. Vou jogar em Fortaleza e Natal, que ficam há três horas de viagem de nossa base (Aracaju). Lógico que a Fifa poderia não deixar isso acontecer e planejar melhor. Mas a Fifa não deixa a gente reclamar. Ela impõe e devemos obedecer", reclamou à época o português Fernando Santos, treinador da Grécia.


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Em 7 de maio, quando anunciou a lista dos 23 convocados para a Copa, Luiz Felipe Scolari ressaltou que a preparação da seleção brasileira para o torneio começava a partir dos testes físicos. Baseado nos resultados dos exames médicos é que o treinador dará início às demais atividades, atento a jogadores que na fase inicial de treinos tenham de pegar mais leve para evitar mais fadiga ou até um corte no elenco. Vicente del Bosque, técnico da atual campeã mundial, disse estar consciente que o desgaste físico será o principal empecilho da seleção da Espanha na luta pelo bi. Ele já iniciou os trabalhos visando o torneio, mas sem os jogadores de Atlético e Real envolvidos na final da Liga dos Campeões.

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A chiadeira, no entanto, ainda não gerou qualquer manifestação mais contundente da Fifa sobre o assunto. A entidade, por meio do presidente Joseph Blatter, já se manifestou algumas vezes sobre a preferência de manter a Copa do Mundo entre junho e julho, fim de temporada na Europa, que coincide com o Verão no continente.

Veja quantos jogos 20 dos mais votados na eleição da Fifa fizeram em 2013/14:


Andrés Iniesta (Barcelona): 50
Eden Hazard (Chelsea): 49
Thomas Müller (Bayern): 50
Manuel Neuer (Bayern): 49
Yaya Toure (Manchester City): 49
Cristiano Ronaldo (Real Madrid): 47
Philip Lahm (Bayern): 46
Xavi Hernandéz (Barcelona): 45
Arjen Robben (Bayern): 45
Lionel Messi (Barcelona): 44
Edinson Cavani (Paris Saint-Germain): 44
Andrea Pirlo (Juventus): 44
Thiago Silva (Paris Saint-Germain): 42
Mezut Özil (Arsenal): 40
Neymar (Barcelona): 39
Luís Suarez (Liverpool): 37
Franck Ribéry (Bayern): 37
Bastian Schweinsteiger (Bayern): 36
Robin Van Persie (Manchester United): 23
Falcao García (Monaco): 19.

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