24 de abr de 2014

Aldeir Tôrres - Libertadores.

Victor e o exército de um homem só.


O Atlético está vivo na Libertadores, a um gol de se classificar para as quarta-de-final. Por um minuto não chegou a 19 jogos sem perder em 2014. Por quase 80 esteve a ponto de ver a Libertadores ir embora. O feito invicto era bom e isso era a segunda melhor coisa do time em 2014. A melhor é Victor e, mais uma vez por causa dele, o Atlético ainda respira.

Se o jogo fosse uma guerra, o Nacional seria aquele que vai avançando, avançando, até chegar no exército russo e congelar no frio enquanto a batalha se arrasta. Victor é o exército russo. Exército de um homem só, porque Otamendi, Rever e Emerson contribuíram muito pouco para um resultado tão apertado.


O início foi equilibrado e Ronaldinho chegou a participar bem dos primeiros 25 minutos. Deu dois bons passes para Fernandinho, que destruiu o que foi construído. Por outro lado, Otamendi, improvisado de lateral direito, não encontrou Valência. Por ali o time de Medelín cresceu, se impôs e só não venceu o jogo por causa de Victor.

No segundo tempo, Otamendí esteve melhor. Não que fosse seguro, mas foi melhor. Ainda assim o time colombiano chegava. Por todos os lados. Por cima e por baixo. Foram 25 finalizações a duas, 28 cruzamentos a sete. 25 desarmes certos a 13. 66% de posse de bola ao time verde e branco*.

O Atlético nem controlou o adversário, nem teve a bola, nem contra-atacou. Nem se defendeu bem. Não se pode ousar comparar a sua defesa as de Chelsea e Real Madrid nos confrontos dessa semana na Liga dos Campeões. O que os europeus fizeram foi neutralizar os principais pontos do adversário e eventualmente precisar de seu goleiro. O que o Atlético fez foi ter em seu goleiro a única salvação.


Se na defesa Victor fez quase todo o trabalho, o ataque foi uma lástima. Se Jô não tem a bola para dividir com os zagueiros, sua participação diminui drasticamente. Ronaldo é um fantasma em campo. Ovacionado aonde vai, como uma entidade. Tardelli relutou em baixar seu nível, mas não resiste mais a falta de continuidade de seus companheiros. No segundo tempo ainda teve de trabalhar apenas como secretário de Otamendi e não teve fôlego, nem a bola, para atacar. Até a entrada de Marion e Guilherme, aos 37 minutos, só uma finalização. No primeiro lance dos dois, Armani teve que fazer uma defesa com estilo. São quatro jogos sem marcar.

Na próxima semana, mais uma vez o Horto terá que jogar. O Atlético terá o apoio de sua torcida, terá tempo para pensar os erros, para se preparar para reverter a vantagem. 2013 mostrou que é perfeitamente possível. 2014 mostra que é absolutamente difícil.

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