10 de abr de 2014

Aldeir Tôrres - Existem várias formas de vencer,

 uma delas se chama Simeone!


Quanto vale o coração no futebol? Quanto desequilibra um jogo? Nunca será possível medir. Se valesse só a vontade, um time do bairro poderia chegar até o céu. Claro que não é só a raça, a gana que vai te fazer ganhar. Ela é um dos fatores que podem fazer a diferença em confrontos tão equilibrados.

Se a técnica corresponde a 30%, se a tática 30%, o físico 30% e a motivação outros 10% (sem contar uma boa dose de sorte, sempre necessária), é possível ter 20 ou 25% de vontade para superar outras dificuldades. Alguns times são mais técnicos, outros mais físicos e intensos, outros dependem do coração para serem vencedores.

E essa dosagem impossível de medir é que o Atlético tem a mais que os outros. É isso que faz um time extremamente bem montado seguir derrubando os que pensam que a qualquer momento ele vai fraquejar. Ano passado foi o Real Madrid na Copa do Rei, esse ano o Barcelona na Liga dos Campeões. Já havia sido o Chelsea na SuperCopa da Europa.


Foram cinco jogos contra o Barcelona na temporada e apenas dois gols sofridos. Ninguém tem aproveitamento parecido nos últimos cinco confrontos com o Barça. Não bastaria que Koke, Gabi, Arda, Juanfran, Miranda, Filipe Luís e companhia morressem em campo de tanto se entregar se não fossem orientados com absoluta competência.
Pois Diego Simeone, que em 2011 encontrou o time a quatro pontos da zona de rebaixamento, dá a seus jogadores a instrução necessária. Dá ao time a motivação que faz a diferença. Anima o torcedor, tira do mais cético colchonero a “síndrome dos pupas”- os cafés com leite da Espanha.

Sem Diego Costa e Arda o ataque poderia ter perdido a sua força. Os primeiros 20 minutos contra o Barcelona, com um gol e duas bolas na trave, o segundo tempo de contragolpes que não terminavam em gol por muito pouco, mostraram que mesmo sem os principais jogadores o Atleti poderia atacar sem medo.

O time tem sete dos 10 jogadores que mais minutos estiveram em campo no campeonato espanhol. Sem um elenco tão numeroso, a saída é expor os jogadores ao limite e mantê-los atentos o bastante para suportar o tranco. Os 30% da parte física, o Atleti tem. A porcentagem que corresponde à técnica é parte menos importante de um time que compete mais do que joga.

Certamente a tática e motivação extrapolam a soma de 40%. O Atlético é um time extremamente consciente e competitivo. Tira do coração o algo a mais que o leva à semifinal da Liga dos Campeões e à liderança do campeonato espanhol a seis rodadas do fim.


E é exatamente no que o time tem de melhor, na organização e na entrega, onde mais se vê o trabalho de Diego Simeone. O Atlético é a cara, a cabeça e o coração de seu treinador. Não tem, por exemplo, as novidades táticas dos times de Guardiola, mas tem o suor de poucos.

O Atlético é mais um a mostrar que há várias formas de vencer no futebol. E uma dessas formas se chama Diego Simeone.

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