14 de abr de 2014

Aldeir Tôrres - Cruzeiro:

 o justo campeão


Três 0×0 seguidos. A primeira vez na história que Atlético e Cruzeiro passam tanto tempo empatando sem gols. Em um campeonato que passa por meses com a expectativa do encontro entre os dois, não dá para dizer que não é frustrante. Quando um defende o título da Libertadores e o outro o título Brasileiro se espera mais. O jogo do Mineirão merecia um vencedor e, pelo o que a partida mostrou, só poderia ser o Cruzeiro.

Fora do Independência o Atlético tem resultados de um time competitivo, até mais do que em 2013, mas o futebol não é o mesmo. No primeiro lance do jogo o Cruzeiro acertou a trave. Éverton Ribeiro perdeu gol cara a cara, Júlio Baptista esteve duas vezes na frente de Victor enquanto o Atlético só teve uma boa jogada de Alex. No segundo tempo, o Cruzeiro seguiu perdendo chances com Goulart, Júlio e Éverton.

O Atlético poderia ter uma única chance no segundo tempo. Aos 44 minutos, Jô foi lançado e se entrelaçou com Dedé. Leandro Pedro Vuaden correu para marcar o pênalti, o bandeira deu impedimento. Na minha opinião, os dois erraram. Houve falta, mas fora da área. O lance seria capital. Fim da partida, Ronaldinho de um lado e Fábio – excelente goleiro, mas conhecido por sofrer muitos gols de falta – do outro. O que é impossível é dizer que seria gol.

Mesmo com o replay, lance é difícil. Na minha opinião, o contato é fora da área e os dois caem juntos depois da linha.


Há quem prefira reclamar da arbitragem a reconhecer o futebol pobre de alguns jogadores que se esperava muito – como o presidente Alexandre Kalil que chamou Vuaden de vagabundo. Talvez seja mais fácil esbravejar do que admitir que Ronaldinho foi a figura mais apagada em campo. Um passe para Alex no primeiro tempo e mais nada em 90 minutos. Jô não conseguiu levar a melhor sobre os zagueiros, Tardelli, que normalmente se salva, afundou junto de seus companheiros no ataque.

Precisando vencer, o Atlético recorreu a Fernandinho, Neto Berola e Claudinei. Com muitos lesionados, o banco era muito escasso de opções para mudar um jogo tão duro.

Falhas do Atlético, mas também méritos do Cruzeiro que teve Henrique muito bem, Bruno Rodrigo e Dedé ganharam a esmagadora maioria das disputas. O Atlético não teve ataque também porque o Cruzeiro foi quase perfeito na defesa.


O Atlético não jogou bem e não tinha peças para equilibrar o jogo. O Cruzeiro perdeu chances de matar a decisão desde o primeiro tempo e, ao meu ver, Marcelo Oliveira leu mal o jogo deixando Júlio Baptista muito cansado em campo, com seu time jogando em velocidade.
Os dois pecaram mais uma vez por querer brigar muito, simular demais, provocar cartões. Cruzeiro e Atlético fizeram a opção por deixar a decisão muito mais nervosa do que era necessário. É o não querer perder, mais que querer ganhar.


Pelo momento dos times, outra vez eu esperava mais de ambos. Mais futebol e menos nervos. Há um ditado no futebol que diz que “final não se joga, se ganha”. Abusaram da máxima. Mas apesar da decepção pelo nível da final, não reduzo o título do Cruzeiro a uma decisão difícil da arbitragem. O campeonato fica nas mãos do time que foi melhor.

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