29 de abr de 2014

Aldeir Tôrres - Atlético Mineiro.

O sumiço de Tardelli e Ronaldinho


O Atlético enfrentou os reservas do Grêmio no frio de domingo a noite em Porto Alegre. Os dois ainda sentiam aquele resto de dor de cabeça deixado por uma ressaca das brabas. Haviam perdido, quatro dias antes, fora de casa na Libertadores por 1 a 0. Vinham de fracassos nas finais dos estaduais. O Grêmio foi a campo desfalcado, o Atlético aproveitou a partida para que Levir Culpi conhecesse de perto seu novo time.

E antes da metade do segundo tempo veio a surpresa: Levir sacou da equipe Ronaldinho e Diego Tardelli. Perdendo por dois gols, sairam os dois principais homens de frente. Na hora, poderia parecer que seriam poupados para o jogo de quinta-feira contra o Nacional de Medelín. Na entrevista depois do jogo, o técnico respondeu que queria mais mobilidade e isso melhorou com as entradas de Guilherme e Marion.


Por mais que venham mal, Ronaldo e Tardelli possuem extrema gratidão da torcida que não se esquece dos feitos de 2013. Por mais que as coisas não funcionem, sempre haverá o argumento de que “são-jogadores-diferenciados-e-podem-resolver-em-um-lance-isolado”. De fato podem, porém não é o que tem acontecido.

Em 2014 Diego Tardelli só foi às redes em um dos 18 jogos que participou. Fez dois gols na vitória sobre o América por 3 a 2 em 23 de fevereiro. São dois meses sem marcar. O caso de Ronaldinho é parecido: 12 jogos e 1 gol – de pênalti contra o Nacional do Paraguai.



Os números do camisa 10 são ainda mais assustadores (no mau sentido) se procurarmos o último gol com a bola rolando: em junho de 2013, contra o Grêmio em Sete Lagoas. São 32 jogos, oito gols, mas todos em cobranças de faltas ou pênaltis. (veja os números completos no FutDados)

Claro que Ronaldo segue podendo decidir com os tiros livres – e o fez algumas vezes no periodo – , mas, para um jogador praticamente sem obrigações defensivas, passar mais de 30 partidas sem fazer um gol em uma jogada construída pelo time é uma marca negativa importante.

A ausência de gols da dupla contrasta com a esperança de que a qualquer momento poderão decidir uma partida. Espera-se um brilho individual de dois jogadores que não têm brilhado. Com o desmorono coletivo do time, desde que venceu a Libertadores, se tornando ainda pior com a saída de Cuca e chegada de Autuori, a saída passou a ser alguém que resolvesse a qualquer momento. Sem os dois, o Atlético perdeu o Mundial, o Mineiro e se vê arriscado já nas oitavas-de-final da Libertadores.


É impossível falar só do time e impossível culpar só Ronaldo e Tardelli. Levir vai precisar melhorar uma coisa e a outra. A boa notícia é que se depois de uma hora e seis minutos comandando o time ele tira esses dois jogadores, o diagnóstico parece feito. Em pouco tempo, Levir precisa começar a tratar do problema. Domingo a ideia foi tirá-los do jogo, o ideal é fazê-los jogar.

Os últimos meses mostraram que o Atlético não consegue se dar bem com a ausência, mesmo em campo, de seus dois principais atacantes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário