7 de abr de 2014

Aldeir Tôrres - Abrindo o jogo.

Quando destruir ganha mais importância que construir.


Foi apenas a terceira vez na história de 465 jogos* entre Atlético e Cruzeiro que dois clássicos seguidos terminaram 0×0. Sabe o que isso quer dizer? (Pausa de Tadeu Schmidt)…. muita coisa. Não é uma estatística solta, um dado que não diz nada, um mero acaso. De 2011 até agora, 13 clássicos haviam sido disputados com 50 gols. Média de 3,84 por jogo. O que está acontecendo?

Acontece que o campeão da Libertadores e o campeão brasileiro querem, acima de tudo, não perder para seu maior adversário. Os clássicos estão mais truncados (na primeira fase chegou a ter 57 faltas). Com cada palmo do campo disputado, sem espaço para se respirar perto das áreas, com atacantes para defender e defensores para defender mais ainda.

A impressão é que a todo custo um não quer perder para o outro. Se protegem demais, travam o jogo demais, arriscam de menos.

Para a decisão e sem Ronaldinho o Atlético perdeu a referência, mas voltaram a aparecer Guilherme e Tardelli. Com Marion que só acertou uma jogada em mais de uma hora em campo, finalizou de canela na frente de Fábio e fez o torcedor sentir falta de Neto Berola. Se Jô estivesse mais efetivo ou se Bruno Rodrigo perdesse alguma para ele, o jogo atleticano poderia ter saído melhor.


Apesar da jogada do gol perdido por Tardelli, só a falta de opções no banco justificava Marion em campo até os 21 do segundo tempo. Por outro lado, nada justifica a escolha de Marcelo Oliveira em deixar tanto tempo Julio Baptista e Ricardo Goulart em campo. Nas mexidas, Marcelo ainda recuou o seu time colocando Nilton, perdendo força ofensiva e apostando em William, ilhado no canto do campo, e no cansado e apagado Éverton Ribeiro.

O jogador mais importante do Cruzeiro ajudou a fazer do garoto Alex Silva um dos melhores do clássico. O lateral-esquerdo levou vantagem em todos os duelos e o jogo do outro lado não poderia sair porque Tardelli era um tormento para Samúdio que quase não atacou.

Do lado cruzeirense, Bruno Rodrigo foi o melhor. Do lado atleticano Alex Silva e Otamendi. Todos destaques defensivos em um jogo que mais importava não sair atrás e ter de ceder campo para o rival.

A decisão vai aberta para o Mineirão. Talvez saindo do Independência, com o gramado com as mesmas dimensões, mas que aparenta ter 40 metros menos, o jogo ofensivo ganhe espaço. Se alguém se dá melhor com o empate é o Cruzeiro que joga por outra igualdade e sai vivo do Horto. Não que o Atlético seja presa fácil no Mineirão, mas evidentemente é mais forte no seu campo.


Caso empatem de novo sem gols no próximo domingo, Atlético e Cruzeiro chegarão ao feito de três 0×0 seguidos pela primeira vez na história. No melhor momento dos clubes em suas histórias (simultaneamente), quando um é campeão da América e o outro do Brasil, a rivalidade mostra do que é feita. De ganhar, mas também de não perder.

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