17 de abr de 2014

Aldeir Tôrres - Abrindo o jogo.

O Barcelona é um velho caduco.


Todo idoso, ou velho, Muita gente já teve seu momento de auge. Aquele tempo em que fisicamente tinha potência, conseguia fazer coisas maravilhosas, até mais do que uma vez. E assim foi com o Barcelona. Potente, atraente, ganhou duas Ligas dos Campeões, quatro Ligas Espanholas e marcou seu tempo. O auge passa. O grande momento, com o passar dos anos, acaba. E isso também aconteceu ao Barça.

Se fosse um homem, o Barcelona de Guardiola teria entre 20 e 40 anos. Forte e envolvente, com capacidade física para fazer tudo que queria. Ele criava um amor na quarta-feira, fazia alguém se apaixonar no domingo, criava ciúmes e inveja nos outros homens que sempre ficavam chupando dedo quando ele chegava. O Barça encantava do seu jeito, coisa que nenhum outro conseguia. Seus rivais eram mais diretos, minimizavam menos o erro e muitas vezes davam com a cara na porta. Aquele tiki-taka era irresistível e todos caíram na lábia catalã.


Pois bem, foi bom enquanto durou.

O Barça de Tito Vilanova já tinha rugas, já falhava algumas vezes. Os azuisgrená de Tito tinham lá seus 50 a 60 anos. Um coroa inteirão que ainda gerava elogios, mas não era mais aquele. Se desesperou com os 7-0 do Bayern de Munique. Vocês podem imaginar o que isso significa para um homem de idade já mais avançada, certo? Tito se foi e com Tata Martino chegaram os cabelos definitivamente brancos. Não mais grisalhos. Brancos.

Com a idade, muita coisa se vai. Aquele antigo conquistador já não consegue fazer coisas triviais, como tocar a bola. Outros, mais jovens, fortes e com suas táticas de sedução, tomam seu espaço. Até contra Valladolid e Granada as coisas já não funcionam mais. Muitas vezes sai de casa e se esquece de levar o casaco, adoecendo com facilidade. Em outras, é pego com calças na mão – uma situação bastante constrangedora para qualquer um.

Já é impossível ao Barcelona se infiltrar como fazia. O toque de bola é lento e vacilante. Messi não acha um lugar cômodo; a marcação que era sob pressão é falha e gera espaços para o adversário que tiver mais velocidade que os defensores – ou seja, quase todos. É possível ver um time envelhecido que já não se lembra mais como fazer coisas básicas que conseguia anteriormente.


Definitivamente não é mais sedutor. É saudosista. Dá saudade de lembrar do time que marcou os primeiros anos do século XXI. Vive de lembranças e, como a maioria dos velhos, é cheio de manias e tem dificuldade de se desfazer de coisas ultrapassadas que não servem mais para muita coisa.

O Barcelona envelheceu. E precisa de sangue novo, ideias novas. Coragem para se desfazer de quem o ajudou a chegar até a velhice ainda admirado e respeitado. Não será fácil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário