15 de jan de 2014

Aldeir Tôrres - Copa São Paulo.

E quando os japoneses gostam mais da bola que os brasileiros?


O Santos venceu por 4 a 0 e se classificou para as oitavas-de-final da Copa São Paulo – competição que o time é o atual campeão. Mas o texto é sobre o perdedor. O Kashiwa Reysol veio ao Brasil disputar o torneio por um acordo comercial já que a Hitachi patrocina o torneio. O Kashiwa sai goleado, mas com um futebol que não se vê por aqui.

Com dificuldades na defesa, por ter um goleiro fraco. Com dificuldade para concluir as jogadas porque falta qualidade a boa parte de seus jogadores. Mas com um poder de movimentação, toque de bola, construção de jogo e mentalidade coletiva de impressionar. Passaram os jogos sem dar um chutão. Tentaram ter a bola nos pés durante o máximo de tempo possível.

O Kashiwa tinha uma forma de jogar. Não é a única. Não existe problema nenhum em jogar o futebol direto, se fechar, tirar espaços, destruir e jogar em velocidade, nos contra-ataques. Na minha opinião, o problema é nenhum time no Brasil, no profissional ou na base, ter a capacidade coletiva que um time japonês tem.

Quando o Atlético perdeu para o Raja Casablanca, a partida não mostrava que o futebol marroquino era melhor que o brasileiro. Quando o Santos foi goleado pelo Barcelona, era impossível não ponderar o poder de contratações e manutenção de seus jogadores que o clube catalão tem e os nossos não. A comparação pura e simples não é justa.
Mas e quando vemos que um time japonês gosta mais da bola que os times brasileiros?

O Kashiwa perdeu e o Santos da Copinha é tecnica e (o que faz bastante diferença nesse momento) fisicamente superior. Mas quem queria jogar com a bola era o time do Japão. O nosso time, uma das referências do país em futebol formativo, fez dois gols de escanteio e mais dois de contra-ataques. Abusou de chutões (e não lançamentos) e várias vezes acompanhou mal a movimentação do adversário.

Não me incomoda ver times que não queiram ter a bola a todo momento. Mas me incomoda muito ver que ou ninguém quer ou ninguém consegue fazer o que um time cheio de limitações do Japão faz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário