2 de dez de 2013

Aldeir Tôrres - Não estamos combatendo a violência.

 Estamos no máximo enxugando gelo.


Vamos recapitular: torcedores do Cruzeiro brigaram entre si no clássico contra o Atlético no Independência. O clube foi punido (e o Atlético também) e precisou jogar fora de casa no que poderia ter sido o jogo do título. Mais de 100 km de distância de BH, jogo com menor torcida e renda que uma partida no Mineirão ofereceria. E no dia que o Cruzeiro volta a jogar em sua casa, a torcida novamente briga entre si. Desta vez do lado de fora do estádio.

Existem outros casos. Torcedores do Corinthians brigaram em Brasília, o clube perdeu quatro mandos de campo e não pôde jogar em São Paulo. Mandou um clássico contra o Santos em Araraquara e o ônibus da delegação santista foi apedrejado. O problema não era Brasília, não era São Paulo, não era Araraquara.

O problema é que crime no futebol é tratado como assunto da justiça desportiva. E o STJD age confuso, sem critérios ou explicações convincentes, tira mandos de campo porque é a única coisa que lhe cabe fazer. Não está dando certo. Os problemas se repetem e talvez os únicos punidos realmente sejam os clubes – muitas vezes coniventes com torcedores organizados, alguns violentos – e a parcela da torcida que não tem nada a ver com a confusão, mas que não viajará 100 km ou mais para ver um jogo de futebol.

O torcedor organizado, o profissional, muitas vezes o violento que causou a punição, esse vai.

A cena da briga no Mineirão é deplorável. A justiça desportiva deve fazer a parte dela, mas já passou da hora de as leis da justiça comum serem aplicadas com maior rigor. A polícia prende, identifica, a justiça determina se aquele torcedor pode ou não voltar a um estádio.

Experiências em outros países mostram que o banimento de torcedores é eficiente para diminuir consideravelmente a violência nos estádios.

Determinar que o violento não poderá mais ir ao estádio e fazer cumprir a determinação pode ser mais efetivo até do que colocar na cadeia o torcedor. Vale lembrar dos presos de Oruro que ficaram cinco meses em regime fechado e três semanas depois de serem libertados estavam envolvidos na briga em Brasília.

Tirar mando de campo, definitivamente não resolve o problema. Extinguir as organizadas já se mostrou ineficaz porque simplesmente se impede que se use bandeiras, faixas ou camisas. Nem mesmo colocar na cadeia resolve o problema, se ao sair os torcedores voltam a protagonizar o cenário grotesco que se vê. Impedi-los, de uma vez por todas, de voltar a um estádio pode resolver pelo menos o problema do estádio.

É um problema social e que precisa urgentemente de uma mão mais pesada do Estado. Não espere que o STJD acabe com a violência no futebol. Estamos enxugando gelo.

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