13 de dez de 2013

Aldeir Tôrres - Abrindo o jogo.

Descaso da CBF é o grande responsável pelo erro que pode mudar o resultado do Brasileiro.


A confusão envolvendo a Portuguesa, seu advogado Osvaldo Sestário, e o STJD fazem o campeonato que terminou no campo no domingo ter mais disputas decisivas dias depois. A questão que parece fundamental no momento é o clube conseguir provar que não foi avisada por seu representante que a punição ao meia Heverton foi de dois jogos e não de uma partida como o clube entendeu.

A Portuguesa deve se defender utilizando o artigo 43 do Código Brasileiro de Justiça desportiva que determina que as punições só valem no primeiro dia útil após a decisão. No entanto o artigo 133 contradiz o código dizendo que o veredito vem validade imediata.

O clube usará um argumento, em primeiro momento pelo menos, partindo da premissa que sabia da punição – embora fora dos tribunais diga que não foi avisada sobre os dois jogos.

É um imbróglio e tanto. Clube, tribunal, advogado dão suas versões e tentam resolver um problema que seria muito facilmente evitado se a CBF, promotora e organizadora do campeonato tivesse o mínimo de zelo por ele.

O serviço da Confederação Brasileira, via de regra, é ruim para tudo. Quando a seleção joga, o site mal é atualizado. Quando enfrentou Zambia, num amistoso, a seleção africana atualizou seu twitter com escalações, substituições e o que ocorria no jogo. A página da CBF, no microblog, tinha uma notícia do dia anterior, sobre o futebol de base, como última postagem.

No caso de julgamentos do STJD, em competições organizadas pela CBF apenas clubes e tribunais devem se entender. Se a soberana confederação de nosso futebol tivesse um estagiário responsável por um hipotético twitter “@punicoesCBFoficial” o problema estaria resolvido. Nem seria necessária uma publicação em seu site oficial em tempo real com o que se passa no tribunal. Ou um documento enviado ao clube com um carimbo da instituição (o que parece ser pedir demais para quem ainda posta tabelas escaneadas em seu site). Talvez seria pedir demais da CBF que o delegado do jogo tivesse uma lista com os atletas impossibilitados de jogar a cada partida. Um mero twitter resolveria.

Ali se postaria simplesmente “o jogador Fulano da Silva, identidade nº: 12345678, inscrição 654321 foi punido com dois jogos de suspensão”. Não seria necessário mais do que 140 caracteres e um trabalho de digitação de menos de 30 segundos.

Seria fácil, muito fácil evitar o problema que pode tirar da primeira divisão (e tirar com justiça na minha opinião) um time que foi melhor que outro dentro de campo.

Ao que parece a Portuguesa errou infantilmente. Erro primário, sem má fé, mas ainda assim um erro. Mas é inadmissível também que a CBF saia disso tudo como se não tivesse culpa nenhuma. Os artigos do CBJD são conflitantes. As versões de clube e advogados são conflitantes. O pouco caso e desleixo da cada vez mais rica, obsoleta e obscura CBF são imperdoáveis.

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