18 de nov de 2013

Aldeir Tôrres - A um mês do Mundial,

 Atlético deveria aceitar menos as derrotas e o mau futebol.


O jogo contra a Portuguesa até pode ser perdoável. O Atlético não tinha Victor, Marcos Rocha, Pierre, Josué, Ronaldinho e Jô dos titulares. Ainda perdeu Rever no primeiro lance. Outros reservas úteis como Leandro Donizete, Guilherme e Alecsandro estavam também fora de ação. Ter acertado duas finalizações no alvo em 90 minutos e ter sido facilmente dominado na derrota por 2 a 0 não teria nada demais, não fosse pelo fato de ser mais um em vários jogos ruins longe de Belo Horizonte.

São 18 jogos fora de casa no Brasileiro com dez derrotas, seis empates e só duas vitórias. Se no Independência o time segue muito bem (tendo vencido 8 das últimas 10 partidas), quando sai para jogar não consegue repetir nem de perto o desempenho.

E o Mundial não será no Horto.


Não existe uma receita para se preparar para um campeonato de dois jogos, como a Copa do Mundo de Clubes. Em 2005 o São Paulo foi devagar no Brasileiro e ficou com o título. Em 2010 o Inter não passou do Mazembe depois de praticamente só treinar no segundo semestre.

Mas o que o Corinthians fez em 2012 parece mais perto do ideal. Depois de ganhar a Libertadores, o time se deu tempo para desacelerar. Descansou física e mentalmente para o Mundial e voltou a jogar forte se aproximando da ida para o Japão. Se vencesse o São Paulo na última rodada teria terminado com a melhor campanha do segundo turno.

O Atlético mantém o padrão que o acompanha desde o ano passado: quase perfeito em casa, longe de ser um time de ponta quando sai. A um mês do Mundial, perto de jogar contra o Bayern de Munique, a impressão é que o time deveria estar jogando muito mais. O Bayern está correndo tudo que pode em suas competições. O Atlético aceita ir muito mal em vários jogos, com a justificativa de que está treinando.

O segundo semestre mostrou muito pouco do time. Depois que venceu a Libertadores, a boa notícia poderia ser que Bernard tem um substituto, mas Fernandinho ainda não sabe se jogará no Marrocos. De resto, nada. Lesão de Ronaldo, nenhuma evolução em relação ao time campeão e ainda a perda da intensidade e da concentração nos jogos.

É claro que no Mundial a motivação e o foco serão outros, mas o Brasileiro tem sido um desperdício. O Bayern é mais do que o campeão europeu: é, de fato, o melhor time da Europa. Em 2012 o Chelsea teve seus méritos por ótima fase da defesa e uma boa dose de sorte. Em 2013 o campeão foi o melhor time, incontestavelmente.

O adversário do Atlético será muito duro e, já que o clube abriu mão de quatro meses e quase 30 jogos no ano, a preparação deveria ser perfeita ou quase isso. Normalmente o Bayern seria favorito e o trabalho deveria ser para encurtar a distância, mas o campo não mostra um time mais forte do que a melhor versão já vista do Atlético de Cuca.

Se é possível entender as dificuldades e as pedras no caminho do segundo semestre, é difícil entender que o time aceite tão passivamente perder e jogar mal tantas vezes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário