15 de nov de 2013

Aldeir Tôrres - Nível do Brasileiro

 não pode diminuir o maior massacre dos pontos corridos.


Ganhar dos outros dezenoves concorrentes ao menos uma vez, confirmar o título com quatro rodadas de antecedência, mas com todos sabendo que ele veio em setembro, ganhar um campeonato de fôlego sem ter o maior investimento, não ser do Eixo Rio-São Paulo. Não faltam argumentos que esquentam a discussão do tamanho do feito cruzeirense no Campeonato Brasileiro de 2013.

Definiria como a mais impressionante conquista de um clube na era dos Pontos Corridos.


Deixar sem graça um campeonato duríssimo e disputado como o Brasileiro é o maior elogio que um clube pode receber. O Cruzeiro teimou em tirar a graça do campeonato, teimou em ganhar 34 de 36 pontos quando o campeonato passou a ter dois jogos por semana, teimou em ganhar, teimou em sobrar. Foi um passeio absoluto.

Os que torcem o nariz vão dizer: “ah, mas sair da Copa do Brasil ajudou”; “o nível é baixo”; “Fluminense, Corinthians, São Paulo e Internacional decepcionaram”. A impressão é que, se nada disso acontecesse, o Cruzeiro seria campeão do mesmo jeito.



Falar agora é fácil. Não apostaria no título no dia 26 de maio quando o time estreou goleando o Goiás. Nem na quinta, sexta, sétima rodada.

Só teremos a ideia do que vimos daqui a alguns anos. Se comparado a outros campeões (dos pontos corridos), geralmente com maior investimento, a conquista celeste é incrível. Mesmo que não nos esqueçamos de que Dedé é a contratação mais cara da história do clube e Dagoberto não foi barato, por exemplo.

O São Paulo tricampeão brasileiro já tinha um sistema definido e foi feliz nas peças que mexeu. O Fluminense foi bicampeão com jogadores caros e muito investimento de um patrocinador que contratou, entre outros, Fred, Deco, Emerson, Diego Cavalieri, Rafael Sóbis, Conca. O Corinthians bicampeão teve grana maciça da MSI e elencos caros. O Santos, uma base forte e Robinho em grande fase. Todos com méritos e dinheiro. Como o próprio Cruzeiro de 2003.


O clube mineiro é o único fora do “eixo” a ganhar o Brasileiro por pontos corridos. O Cruzeiro campeão foi montado nesse ano por alguns jogadores com passagens discretas por outras equipes, nenhum fora de série, operários e até alguns com egos maiores que a bola. Muito bem controlados e comandados por Marcelo Oliveira. Em janeiro, o comandante era “atleticano”. Agora, já virou cruzeirense. Quem o criticou por ser rival, agora o aplaude.



Na teoria, era a mais difícil e uma das mais improváveis conquistas. Na prática, foi um passeio. A vitória do conjunto. Possivelmente, a maior da era dos Pontos Corridos.

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