11 de nov de 2013

Aldeir Tôrres - Marcelo Oliveira:

 De técnico a equilibrista.


Marcelo Oliveira montou um time que passa com facilidade pelo Campeonato Brasileiro. Os méritos dentro de campo, a intensidade do time e o crescimento técnico de vários jogadores já foram falados. Mas montar um grupo campeão não passa apenas pelo esquema tático, pela bola parada ou pela preparação física. É preciso saber administrar pessoas. Um grupo de 30, onde 11 jogam.

Não é fácil e várias vezes equipes tropeçaram nas próprias pernas, não confirmando em campo a expectativa gerada. Quando o Cruzeiro foi ao mercado e contratou quase dois times era um risco muito grande. Haveria disputa por posições, o que poderia ser excelente para evitar acomodação, mas quem ficasse de fora poderia atrapalhar, perder o foco e, quando chamado, não corresponder.

Há treinadores que preferem ter em mãos grupos mais reduzidos. Alguns poucos e bons, incrementando com a entrada de garotos que não ligariam muito em passar quatro ou cinco jogos sem entrar no time.

No jogo contra o Grêmio, um detalhe que se viu também em outras partidas e passa quase despercebido. O Cruzeiro vencia por 1 a 0 e começava a perder a força na frente. Fábio fazia cada vez mais defesas difíceis e Barcos chegou a acertar a trave. Marcelo tirou Borges, Dagoberto e Everton Ribeiro. Os três mais badalados. Deixou Ricardo Goulart, o mais esforçado. Willian entrou e marcou e o próprio Goulart definiu o jogo em 3 a 0.

Não é fácil ter a coragem que Marcelo teve para fazer as mudanças em um jogo como o contra o Grêmio. Ainda mais vindo de um técnico sem lastro e grife de outros, que podem ganhar o respeito do jogador pelo currículo ou pela intimidação.

Marcelo tem autonomia de mexer em peças que nem sempre são fáceis de lidar. O ego de ficar no jogo até o fim, de fazer o gol da vitória. O desgosto de sentar no banco por um mês inteiro ou de participar de poucos minutos a cada partida. Não é fácil tirar Éverton Ribeiro, assim como não deve ser deixar Júlio Bpatista no banco. Escolher que Borges deva ser o primeiro a sair e que o ex-titular Luan quase não vá mais entrar. Se equilibrar no meio disso, não é nada fácil.

Marcelo mexe e acerta. E quanto mais resultado vier, mais respaldo e respeito terá para continuar. É muito difícil ganhar um campeonato sem antes ganhar os jogadores.

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