29 de nov de 2013

Aldeir Tôrres - Destaque.

Pressa na obra? Pressa nos julgamentos?


A tragédia do estádio do Corinthians gera mais repercussão do que outras. O operário morto em Manaus ou em São Paulo na obra da arena do Palmeiras foram tratados com menor atenção e os erros ocorridos tiveram menos julgamentos do que se vê hoje. Sem laudo de perícia, sem resultado da polícia técnica, sem declaração dos engenheiros efetivamente envolvidos na construção do estádio em Itaquera, quase tudo o que resta é suposição. E aí mora o perigo.

Os prazos para a entrega do estádio estão apertados, assim como de outras arenas ainda mais atrasadas. A FIFA sabe e cobra pressa. O que não significa que quer estádios prontos a tempo, custe quantas vidas forem necessárias. O que a entidade deveria fazer? Adiar a Copa do Mundo porque desde 2007 não conseguimos nos planejar e deixar tudo pronto?

Um guindaste imenso tombou em um local que poderia haver mais trabalhadores do que no momento. É um prato cheio para que FIFA, José Maria Marin, Andrés Sanchez e Corinthians sejam julgados e condenados por erros que simplesmente podem não ter cometido.

Caso fique provado que houve pressa para içar e encaixar a peça, que a estrutura do guindaste não estava firme o bastante e a pressa em cumprir metas pode ter atrapalhado na execução do serviço, caberá calcular a culpa que a Copa do Mundo e seus organizadores possuem. E caso isso aconteça, que se torne público.

A Folha de São Paulo publica hoje que um alerta foi feito, no dia do acidente, e foi ignorado.

Não se pode varrer para baixo do tapete duas mortes e uma potencial tragédia de proporções ainda maiores porque existe uma Copa do Mundo no caminho, porque a imagem de um grande clube pode ser arranhada ou haverá perda de oportunidade de negócio em um naming rights para o estádio.

É preciso que se torne público o que é direito de todos saber. A mim não parece justo buscar culpados do tamanho do guindaste que caiu. Assim como temo que parte da história seja diluída e esquecida pelo bem dos interesses da Copa do Mundo. A imprensa cabe noticiar, com o máximo de informações. 

Nem um grande vilão e nem uma cortina de fumaça. Que não tenha havido pressa na conclusão da obra. Que não haja pressa em mostrar ou esconder os responsáveis por duas mortes.

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