31 de out de 2013

Aldeir Tôrres - Seleção brasileira

Caso Diego Costa lembra mais disputa clubística do que étnica


 Diego Costa não é espanhol e por isso não deveria defender a seleção daquele país. O país onde nasceu é um detalhe – Thiago Alcântara nasceu na Itália, local onde seu pai jogava. Ao que parece, nunca se sentiu italiano. A que país se pertence é algo pessoal. E, pelas atitudes, Diego parece mais querer escolher um time para a jogar a Copa do Mundo, do que a qual pátria pertença.

Os erros, ao meu ver, vem de todos os lados. Jogador, Confederação Brasileira e Federação Espanhola.

01 – Em março, ainda antes de se apresentar à seleção brasileira, Diego deu uma entrevista ao Estadão. O atacante diz “”Um repórter perguntou se eu gostaria de jogar pela Espanha e eu disse que meu sonho sempre foi a seleção brasileira”. Depois, entrou em campo pela seleção brasileira. Perdeu espaço, se naturalizou e, aparentemente, mudou seu sentimento de que país é o seu.

02 – Já próximo da naturalização e de poder optar pela Espanha, Diego disse à imprensa do país europeu que comemoraria um gol contra o Brasil (veja aqui). Conveniente. Mas estranho para quem, nem seis meses antes, tinha o sonho apenas de jogar pela seleção brasileira.

03 – Depois de ter sido convocado e atuado em 31 minutos dos 180 possíveis, Diego não retornou à seleção. Para a Copa das Confederações, Scolari chamou Fred e Leandro Damião. Depois da lesão do atacante do Inter, Jô foi convocado. Para os amistosos de agosto e depois setembro, com Fred machucado, Pato foi o escolhido. Diego Costa via Fred, Jô, Pato e Leandro Damião a sua frente. Era a quinta opção.

O erro da CBF, no caso a comissão técnica, foi não ter dado atenção a um jogador que vive grande momento. A fase pode ser melhor que o próprio jogador, que já em 11 gols em 10 rodadas – mais que em todo o último campeonato espanhol. Felipão só demonstrou importar-se quando percebeu que iria perdê-lo. Aí tentou o contra-ataque, para desfalcar o rival.

04 – O discurso de Scolari é de que Diego Costa abriu mão de um sonho comum a milhões de brasileiros. Algo muito parecido com o que o próprio Felipão fez em 2002, quando teria a oportunidade de dar seguimento ao trabalho depois do título mundial, mas preferiu dirigir Portugal. Quem não quer ser técnico da seleção? Ainda convenceu outros dois brasileiros, Pepe e Deco a fazerem o mesmo. Difícil aceitar o discurso de Scolari nesse momento.

05 – A Espanha, que várias vezes se vê em debates sobre catalães e bascos, se são ou não espanhóis, se deveriam ou não defender a seleção e como seria o time sem eles, não se cansa de abrir as portas para outros que não tenham uma ligação tão clara com o país – desde que seja conveniente. Diego Costa, Catanha, Marcos Senna, Donato são exemplos de brasileiros que agradam pelo futebol e por isso podem defender La Roja com mais paz do que quem nasce em determinadas regiões do país. Uma vez que Torres, Negredo e Soldado não suprem as necessidades, Diego Costa se torna convenientemente espanhol.


A mim, parece uma sucessão de erros das partes envolvidas. Poderá fazer falta ao Brasil, porque não temos mais um Ronaldo ou Romário, inquestionáveis 9. Poderia fazer falta a Espanha, que foi, dentre as campeãs do mundo, a seleção com o pior ataque. Diego tem o direito de se sentir espanhol ou brasileiro. Não tem o direito de escolher um país como quem escolhe um clube, por oportunidades de jogar ou de se ter menor concorrência.

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