24 de out de 2013

Aldeir Tôrres - Abrindo o jogo

Impossível um jogador se definir tão bem em um chute só, como Pato fez


É difícil que um pênalti represente tão bem o que é um jogador como aconteceu na Arena Grêmio na madrugada de quinta-feira. Pato foi o escolhido para ter a bola decisiva, o Corinthians e os corintianos contavam com ele. Responsabilidade e expectativa enormes, atribuídas a um jogador que já foi cotado para pertencer à classe mundial dos atacantes.

Pato corre para a bola e não só tenta uma cavadinha, mas proporciona uma finalização esdrúxula que Dida defende sem dificuldade. Um chute fraco, mal colocado, desprovido da carga de tensão e entrega que o momento exigia. A boa cavadinha é arriscada, ainda mais quando do outro lado e está Dida – conhecido por esperar o cobrador se decidir. A má cavadinha é imperdoável.

O atacante errou o pênalti decisivo como vários outros fizeram. Danilo e Edenilson erraram, assim como Barcos e Alex Teles. Foram 10 pênaltis e cinco erros. Só um inaceitável. Não pelo erro em si de quem o cobrou e o que se espera dele, mas pela forma que foi.

O pênalti de Pato ajudou a tirar o Corinthians da Copa do Brasil. Claro que não foi ele sozinho. Teve mais um empate sem gols e o time chega a 15 jogos (são 54 dias) sem fazer um gol de jogada construída. Foram quatro gols marcados no período, três de escanteio e um de falta e jogo aéreo. Emerson foi expulso minutos depois de entrar e chegou aos 19 jogos sem fazer um gol. Mais do que decretar a eliminação, Pato faz os problemas do segundo semestre serem mascarados e todo o peso ser direcionado apenas para ele.

Hoje o corintiano está absolutamente irritado com a maior contratação da história do clube (se considerarmos Tévez uma contratação feita pela MSI, sem dinheiro do próprio Corinthians). Porque Pato perdeu o pênalti e o Corinthians foi eliminado, mas principalmente porque não vê a mínima identificação de um jogador que não assume a responsabilidade que tem.


“Treinei assim, bati assim”, disse. Parece que nem o erro o fez perceber que “assim” não dá.

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