8 de ago de 2013

Aldeir Tôrres

O Brasileiro dos velhinhos
O Campeonato Brasileiro é o campeonato dos vovôs. Seedorf, Alex, Zé Roberto, Ronaldinho, Juninho Pernambucano, Danilo, Forlán e até Paulo Bayer. Todos acima dos 30 (alguns quase nos 40). Quando nosso futebol ficou mais rico, há alguns anos, passamos a repatriar e trazer estrangeiros em final de carreira. Cheguei a falar em ‘qatarização’ do futebol brasileiro, mesmo com a presença de Neymar, Lucas e Oscar naquele momento.

O alto número de jogadores veteranos e protagonistas pode dar alguns indícios.

Primeiro: já começou uma maratona que vai até o meio de outubro. Entre 28 de julho e 20 de outubro, 22 rodadas serão disputadas. 85 dias e 22 jogos, fora os confrontos que ocorrerão por Copa do Brasil e Sul-Americana. Quem depende tanto de jogadores mais velhos, pode sofrer mais que outras equipes com o desgaste físico de suas referências.
O Coritiba perdeu o jogo em que não teve Alex. O Grêmio, sem Zé Roberto, perdeu para o Corinthians e empatou com o Inter. O Botafogo mostrou força mesmo sem Seedorf vencendo o Santos e quase batendo o Atlético em Belo Horizonte. Mas pensar a questão física desses jogadores para tanto tempo jogando em final e meio de semana é fundamental.
É melhor que o clube, e não o corpo do atleta, escolha de qual partida ele não vai participar.

Outra questão é porque tantos jogadores que não estão mais no auge de suas carreiras ainda conseguem ter o desempenho tão bom. Entramos na batida discussão (e que por ser batida não deixa de ser verdadeira) de que nosso futebol possui correria e consegue ser lento, espaçado, mal posicionado. Tudo isso é verdade. Não falta gente para correr e trombar. Falta quem pense e jogue e são justamente os mais velhos que fazem isso. Afinal, em terra de cego, quem tem olho é rei.
Seedorf tem 20 gols em 53 jogos pelo Botafogo. No Milan, para marcar seus últimos 20 gols precisou de quatro temporadas e 148 jogos. É possível levar em consideração que joga em posições diferentes, na Itália atuava mais recuado. Mas no Real Madrid, em início de carreira, precisou de três temporadas e 145 jogos para marcar 21 gols. Nunca foi tão artilheiro. Nunca foi tão fácil fazer gol.

Graças a um futebol mais atrasado ao que se considera hoje como moderno e ideal, temos a possibilidade de ver quem tem talento puro brilhar e isso é ótimo. Na mesma moeda, podemos ver também como falta percepção de jogo e qualidade aos mais novos. E isso é péssimo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário