12 de ago de 2013

Aldeir Tôrres

Como (tentar) explicar o equilíbrio do Brasileiro
Um time vence o São Paulo e o Fluminense. Tira pontos do Inter, Cruzeiro, Corinthians e Flamengo. Ótimo cenário para quem briga pelo título? Fazer bons jogos contra vários dos times grandes, tirar ponto do líder, do atual campeão mundial e do Brasileiro. Poderia ser de um time que habita as primeiras colocações, mas é a Portuguesa, 17ª colocada no campeonato e desde a 7ª rodada na zona de rebaixamento.

Se tratando de campeonato e futebol brasileiro, não dá para surpreender. Se não temos a organização, os estádios cheios, as grandes receitas e a grife de outros torneios (que só possuem tudo isso porque trabalharam para melhorar, diga-se), nos sobra o equilibro. E isso faz do Brasileiro um campeonato atraente. Ele é emocionante e mais imprevisível do que outros.

O equilíbrio se dá por vários fatores e errar demais é a maior semelhança que os clubes possuem e é o que os aproxima. Seja dentro ou fora de campo. O São Paulo tem a segunda maior receita do Brasil. Teoricamente deveria ter um time bastante forte, brigando em cima, gerando um abismo em relação aos demais graças à capacidade de se reforçar e manter seus jogadores. Na prática, é o vice-lanterna.

O Fluminense já tem sete derrotas em 13 jogos. Mais do que teve nas 38 rodadas do ano passado, quando foi campeão. O que mudou no time? Na escalação, perdeu Thiago Neves e Wellington Nem (que nem era mais titular absoluto). Ainda tem Fred, Cavalieri, Jean, Deco, Carilinhos…

O campeonato tem o Cruzeiro (com quase um terço da receita do São Paulo) na liderança e o Botafogo (com os dois meses de salários atrasados reclamados pela mulher do treinador) com a mesma pontuação. Um terço da competição e por mais que tentemos imaginar, projetar, calcular possibilidades, não sabemos prever se os dois manterão o ritmo até o final. O Palmeiras e o Flamengo de 2009 mostram isso. Cada um de seu jeito.

O Santos tomou oito gols do Barcelona na sexta, empatou com o Corinthians na quarta e não sofreu nenhum gol do líder – com o melhor ataque do torneio – no domingo. 

O melhor turno da história dos pontos corridos é o do Grêmio em 2010, com 43 pontos. Foi conquistado no segundo turno, depois do virar a metade da competição uma posição acima da zona de rebaixamento.

Fosse o Porto, Celtic ou Real Madrid seria mais fácil de prever. Porque a distância entre os clubes nesses países é infinitamente maior.

O desequilíbrio financeiro é péssimo e já traz consequências. Como a divisão de títulos. Nas primeiras 21 edições, os times de fora de Rio-São Paulo (que ganham menores cotas de TV) ganharam 7 vezes. Nas últimas 21, só o Grêmio, Atlético-PR e Cruzeiro conseguiram. Um nos últimos 10 anos. E a dificuldade de se manter na elite. Desde 2003, todos os times que subiram caíram em no máximo três anos, a exceção dos grandes (Corinthians, Botafogo, Palmeiras, Grêmio, Atlético, Vasco).
Quem ganha menos dinheiro precisa trabalhar mais para conseguir competir. Mas os clubes seguem errando muito. E o campeonato segue emocionante por isso. Viva a incompetência!

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