1 de jun de 2013

Aldeir Tôrres

Muricy Ramalho atrapalha o futebol brasileiro
Esqueça o declínio no Santos. O time que dependia de Neymar e não jogava coletivamente. A goleada na final do mundial. Muricy atrapalha o futebol brasileiro nos seus bons momentos. Quando ganha títulos, sai por cima e cria uma tendência. Quatro vezes campeão brasileiro entre 2006 e 2010, vencedor da Libertadores em 2011 e estaduais no Náutico, São Caetano e Internacional.

Os times de Muricy não jogam um futebol bonito. Não era assim com o São Paulo, tri brasileiro e que o próprio treinador chegou a dizer “quer espetáculo, vai ao teatro”. O mesmo vale para o Fluminense de 2010. Vivia de muita gente marcando e Conca decidindo tudo quase sozinho. Em 2011, o Santos ganhou a Libertadores e o técnico teve grande responsabilidade. Arrumou a defesa de um time que já sabia atacar desde que Dorival Junior o treinou no ano anterior. Neymar, Ganso, Arouca, Danilo ditavam o ritmo na frente e Muricy consertou os problemas atrás.

Existem várias formas de ganhar e todas elas são legítimas. Não é necessário jogar bonito sempre. Não é todo mundo que vai conseguir brincar de Barcelona ou Bayern de Munique. Mas seria muito bom se tentasse.
Muricy Ramalho cria no futebol brasileiro a cultura de que o feio é bom. Que pensar primeiro na defesa e que alguém resolva na frente é um modelo vencedor. É o caminho mais fácil para quem quer subir. O técnico do time médio e pequeno tema mais facilidade de copiar Muricy do que Guardiola, Jupp Heinckes e por que não Tite ou Cuca? Dá mais trabalho copiar os melhores.

Quando Paul Breitner vem ao Brasil e critica o nosso jogo, a nossa filosofia e diz que precisamos ver os europeus e o que eles estão jogando, não está falando do Bragantino de Marcelo Veiga, do Joinville de Arthurzinho, do CRB ou do Boa. A responsabilidade pelo nosso jogo atrasado vem da má formação de jogadores e da arcaica visão de futebol que os técnicos dos times grandes têm.

Luís Felipe Scolari ficou dois anos a frente do Palmeiras, ganhou uma Copa do Brasil, mas não fez o time jogar melhor em nenhum momento. Muricy teve dois anos de Santos e o trabalho não melhorou com o passar dos meses. Eles atrapalham. A filosofia é ultrapassada e ainda assim vencem.

Porque é possível ganhar jogando feio e sem agradar. É possível ganhar sem mostrar nenhum desenvolvimento para o futebol. É possível ser campeão e atrapalhar. É o que Muricy Ramalho faz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário