4 de mai. de 2013

Atlético de Cajazeiras

 Zagueiro Doriam. As lágrimas
O futebol é atualmente um dos negócios de maior rentabilidade, os lucros, em mídia, venda de material esportivo e negociação de atletas, são superados ano após ano. Nessa lógica é cada vez mais comum a mercantilização de clubes e jogadores. Essa realidade é hoje um procedimento natural ao esporte.

Nesse ambiente comercial difundido mundo a fora, surge um novo tipo de jogador, uma peça que desde as categorias de base é moldada de acordo com estes novos conceitos. Esse atleta, não possui mais o desejo de todo menino, o sonho de viver do futebol, no futebol, para o futebol. Assim, ele passa a enxergar as quatro linhas da mesma forma que um  funcionário cansado dentro de um escritório desempenhando rotineiramente a mesma função a 10, 20 anos. A utopia está desfeita, resta agora esperar pelo recebimento dos vencimentos que lhe são devidos.

Felizmente, o futebol continua apresentando outras variáveis e ainda possui a força para alterar realidades, construir novos caminhos e o poder de nos surpreender, de nos emocionar. Foi o que aconteceu nesta segunda (29) durante a partida entre CSP e Atlético de Cajazeiras. O jogo em si, foi uma típica partida de “6″ pontos, onde o time sertanejo no final das contas saiu mais contente que o tigre com o resultado final. Houve muita disputa, equipes dispostas, honrando as camisas e torcedores dos clubes envolvidos. Esse fator já diferenciava a partida do habitual, mas um personagem em especial foi marcante nesse confronto.

Dorim no alto de seus 17 anos, entrou como titular no Atlético, substituindo o zagueiro Mazinho que estava suspenso, o inexperiente defensor do Trovão Azul parecia nervoso, tenso, nada que não fosse natural para alguém que até pouco tempo não tinha tido grandes oportunidades e via neste jogo, a chance de mostrar seu futebol e galgar novos espaços. Nascido e criado nos arredores de Cajazeiras, o jovem zagueiro de boa estatura, foi o jogador que definiu o resultado para os dois lados.

Aos 25 minutos da segunda etapa em uma confusão na defensiva do Atlético, Dorim tentando afastar a bola do gol, chutou a esfera nas costas do seu companheiro de zaga e ela foi parar no fundo das redes. Dessa vez o futebol resolveu oferecer um segunda chance ao nosso personagem, aos 41 minutos de jogo veio a redenção do zagueiro, em uma bola cruzada na área do CSP, Dorim desviou de cabeça, foi o empate do Trovão Azul, ele havia acabado de marcar o seu primeiro gol como profissional. Correu para o abraço de quem ali quisesse, vieram as lágrimas, de alegria, de alívio, nos braços do treinador e de seus companheiros, muita coisa passou na cabeça do jovem zagueiro naqueles 10 ou 15 segundos de euforia.

O sorriso, seguido de lágrimas, de sorrisos e mais lágrimas, remontaram a alegria encontrada no olhar dos melhores amigos, o abraço, a certeza, o medo, a vontade de seguir em frente. Dorim alheio a tudo que o cerca, ainda preserva o brilho no olhar, ele agora, mais que nunca, permanece no seu sonho de menino. Por isso, foi capaz de proporcionar aos poucos presentes na Graça, um sentimento diferente, de crença, de esperança nesse poder de que tanto se fala, na magia cada vez mais rara de se ver, mas que invariavelmente reaparece e nos faz continuar seguindo, vibrando. Ao torcedor guerreiro, presente naquele instante, não importou mais os times em campo, não interessava mais o gramado ruim, a arbitragem, a luz, a hora, ele verdadeiramente estava presenciando uma partida de Futebol.

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