26 de mai. de 2013

Aldeir Tôrres

Individualista em um time coletivo: Neymar vai vingar no Barcelona?
O que era lógico se tornou oficial. Neymar vai ao Barcelona porque é o que quer. Não na última semana, mas há muito tempo. Tanto que há um acordo entre ele e o clube há tempos. Negam, mas há. A questão agora é o que fazer com Neymar. Era dele que o Barcelona precisava? Onde vai jogar? O que precisa evoluir? O que terá de se adaptar?

Neymar é um jogador individualista que vai para o time mais coletivo do mundo. Não combina? Pelo contrário. O que o Barça mais possui são jogadores de toca e sai. Fábregas, Xavi, Busquets, Villa, Pedro. Quem oferece o drible é Iniesta ou Messi.

E por mais que o argentino tenha condições de enfileirar defesas, a medida que fica mais velho o que mais faz é gol como finalizador nato. Veja os gols da última temporada. Messi pega a bola na intermediária, abre na ponta e corre na área. Chega por trás da zaga batendo de primeira. É o seu gol mais típico no Barça atual.

As partidas mais difíceis do ano mostraram um Barcelona sem força. Sem profundidade. Com Iniesta e Messi bem marcados não havia quem oferecesse algo diferente para furar bloqueios de até dez defensores. Neymar tem essa capacidade. Fica devendo contra defesas bem organizadas e é aí que precisa evoluir. Mas a capacidade de drible e velocidade contam muito a favor do brasileiro. Cria espaços, abre defesas. Chama a marcação para que os outros tenham campo para jogar.

Muitas vezes o Barcelona se defende com a bola. Toca por intermináveis minutos para não ser atacado. Neymar vai precisar entender isso. Compreender a hora de acelerar e a hora de tirar a velocidade do jogo tocando de lado. Eventualmente terá de trocar de lado e render também pela direita. Para a próxima temporada o time deverá ter, além dele, Alexis, Pedro e Tello para as extremidades. Todos alternam o lado.

Outro ponto fundamental é o crescimento pessoal. Neymar não será o dono do vestiário como ocorre no Santos. Todos os deslizes eram perdoados e o jogador foi extremamente mimado enquanto esteve no Brasil. Pela complexidade de sua transação e pelo valor envolvido, Neymar chegará à Catalunha precisando mostrar muito futebol.

Dancinha diferente, cabelo invocado, superexposição em redes sociais e até excesso de aparições em comerciais e eventos extracampo podem depor contra. Ele já tem seu espaço no Brasil, mas não o possui em outra cultura. O modo de vida extravagante não é o preferido pelos patrões do vestiário. Xavi, Messi, Iniesta e Puyol não aparecem pelo o que fazem fora de campo. Em 2012, Puyol puxou Thiago Alcântara e Dani Alves pelo braço porque dançavam depois de um gol. Guardiola pediu desculpas na entrevista depois do jogo. Parece bobagem, mas não é. Em um clube mundial, falta notícia as vezes e se expor em demasia é um prato cheio.

No fim das contas, Neymar tem mais chances de triunfar que declinar. O vejo longe de um novo Robinho. Tem 21 anos e mais de 150 gols (mais que Ronaldinho, Kaká, Messi e Cristiano Ronaldo com a mesma idade). Robinho tem 94 gols pelo Santos em 213 jogos. Neymar tem 138 em 228 partidas. Quinze jogos e 42 gols a mais.

Vai ajudar o Barcelona e ser ajudado pelo clube. Em alguns anos, Messi pode lhe passar o bastão de jogador mais importante do time. Para isso será preciso evoluir. Tudo o que fez agora é muito bom. O Barcelona exigirá mais. O que já fez não pode ser o limite.

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