21 de mai. de 2013

Aldeir Tôrres

Só três campeões fora do eixo nas duas últimas décadas de Brasileirão

Semana que começa o Campeonato Brasileiro é a semana das apostas. Quem vai ser o campeão, quem vai para a Libertadores, quem vai ser rebaixado. A falta de parâmetros dos estaduais, a instabilidade das equipes e pouca habilidade para gerir crises torna o trabalho quase cômico. O time que não tinha cara de nada se mostra candidato ao título e outro badalado sangra por um ponto para não cair.

É fácil ver que o Corinthians fora da Libertadores entra fortíssimo na disputa. Ano passado, mesmo pensando no mundial e promovendo rodízio de jogadores, foi o sexto lugar. O Atlético de hoje parece mais forte que o vice-campeão. O Fluminense é mais um óbvio candidato. Também é bom cotar o Botafogo – especialmente se contratar um camisa 9 de qualidade.

Dois cariocas, um paulista e um mineiro entre os favoritos (os meus, pelo menos). A divisão de títulos por estados é parecida. Nas 42 edições do torneio, Rio e São Paulo ficaram com 32 títulos (considero o Flamengo o campeão de 1987). Em dez outras ocasiões o campeão veio de outros estados (três vezes Inter, duas Grêmio, uma vez Atlético-MG, Cruzeiro, Atlético-PR, Coritiba e Bahia).

Entre 1971 e 1991, nas 21 primeiras edições, sete conquistas fora do eixo. Entre 1992 e 2012, nas 21 seguintes, somente três títulos fugiram de Rio de Janeiro e São Paulo. São nove anos desde o Cruzeiro, último campeão que foge à regra. O jejum nunca foi tão longo. Não é curiosidade, é um dado que ajuda a explicar a dinâmica do nosso futebol.

A partir dos anos 1990 começou a haver mais dinheiro vindo de patrocínio e mais cota de televisão. Ali se começou a criar um abismo que só não é maior devido à má administração dos clubes ao longo dos anos.
A diferença econômica dos clubes não é um fenômeno recente e as décadas mostram isso. Reforça a necessidade de bom trabalho e criatividade dos menos ricos. Reforça a necessidade de que pensem mais coletiva do que individualmente na hora de negociar acordos econômicos. Esperar essa postura de clubes cariocas e paulistas é mais difícil. O recado vale para os demais.

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