15 de mai de 2013

Aldeir Tôrres

Essa seleção não é a minha, mas também não é a sua

A seleção convocada não é a minha. E certamente não é a sua. São 23 nomes para se discordar. Aqui ou ali, eu, você e Luís Felipe Scolari não vamos entrar num acordo. Alguns pontos, acho difícil entender:

- presença de Jean como lateral. Jean é bom meio-campo, mas não é bom lateral. Existem outros melhores.

- ausência de Ronaldinho. Tenho dúvidas se pode fazer contra seleções fortes, o que faz no Atlético. Pela razão de que o futebol fora do Brasil, no geral, ser mais rápido do que aqui e exigir mais movimentação e trabalho sem a bola. Sendo o jogador do passe, quase sempre de primeira, Ronaldo voltou a viver grande momento, seguramente o melhor desde o Barcelona. Pela fase que vive e pela ausência de um grande nome para a função, apesar das dúvidas, deveria estar na lista.

A questão, mais que os nomes e as discordâncias, é como o grupo foi montado e o que esse time pretende fazer. São apenas quatro que já disputaram uma Copa, sendo três como coadjuvantes (Júlio César, Thiago Silva, Daniel Alves e Fred). Os 23 convocados vem de 17 clubes. O Fluminense foi quem mais cedeu e foram três: Cavalieri, Jean e Fred. Dois reservas. Como já foi dito aqui, Espanha, Itália e Alemanha têm bases formadas por duas equipes ou pouco mais do que isso.

Não ter uma base como os adversários têm atrapalha e muito, mas não é o fim do mundo. A Argentina não tem base de um time, mas tem trabalho de continuidade de Alejandro Sabella. Sete dos titulares de hoje (e oito jogadores do grupo Olímpico de 2008), começaram jogando a primeira partida do treinador na seleção, em setembro de 2011. Um ano e meio depois, a Argentina é um time forte e temido.

Nas peças, o time de Scolari não é diferente do de Mano Menezes. O que pretende fazer sim. A Espanha vai querer tocar a bola, seja defendendo ou atacando. A Itália terá a força de sua defesa e organização de Pirlo, oriundos da Juventus. O time de Mano se propunha a marcar na frente, tocar a bola rápido no ataque e trocar de posição para confundir a marcação.

E o time de Felipão? O que pretende? Nos cinco jogos, foi impossível decifrar. A forma de marcar, o que fazer com a bola, quem é o jogador chave no esquema. Foi possível ver um time que marca mais, só isso. Não joga mais. Ainda é possível justificar com pouco tempo para treinar e preparar adequadamente o time. Daqui a um mês será diferente e mais importante que quem foi ou quem não foi, ao meu ver, é o que Scolari vê e quer de um time de futebol.

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