27 de abr de 2013

Wellington Silva

Nega ser salvador e revela bronca: 'Tá doido, Bernardo?'

Apontado pela polícia como salvador de Bernardo no caso do espancamento do jogador do Vasco no complexo de favelas da Maré, no último domingo, Wellington Silva negou que tenha encontrado o meia vascaíno na comunidade, mas confirmou que esteve no local para visitar a sua família que mora na região. O lateral-direito do Fluminense, porém, admitiu que, em contato telefônico com o meia, soube de toda história. Wellington disse ainda que, ao contrário do que foi divulgado, o problema teria acontecido na terça-feira e não no domingo.

- Nasci no Complexo da Maré, meus familiares ainda moram lá. No domingo, fui visitá-los e me falaram que o Bernardo estava lá. Tinha tempo que não falava com ele, queria encontrá-lo, fiquei esperando para ver se conseguia conversar com ele, o pessoal falou que ele estava por lá. Mas fui embora e ele não apareceu. Ele me ligou depois e disse o que aconteceu. Eu falei: “Tu é doido, Bernardo?!” Ele disse que ainda estava muito abalado e depois conversaríamos pessoalmente.

Na quinta, ele me ligou novamente e disse que não sabia porque meu nome estava envolvido, já que não estive com ele e soube (que era apontado como salvador de Bernardo) pela imprensa – afirmou Wellington Silva por telefone, na manhã desta sexta.

As informações da polícia dão conta de que Wellington teria sido "chamado" quando os traficantes começaram a espancar Bernardo e convencido os traficantes a pouparem Bernardo argumentando que se o jogador morresse "a favela teria UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) no dia seguinte".

Criado e conhecido no Complexo da Maré, Wellington Silva disse que, caso estivesse com o jogador não teria problemas em ajudá-lo. Pelo contrário:

- Se eu estivesse, seria um prazer dar uma ajuda, ele é meu amigo. Mas eu nem sabia de nada. Estou assustado, pois me envolve em uma coisa de que não participei - garante.

Visivelmente nervoso com todo o caso, Wellington Silva garantiu repetidas vezes que não encontrou Bernardo nem atuou como intermediário para salvá-lo do poder dos traficantes.

- Não teve isso (conversa com traficantes), comigo nada, eu não estava no momento, soube bem depois, não falei nada com ninguém. Não o encontrei. Deu minha hora e tinha que voltar para minha casa, no Recreio. Fui embora e não vi o Bernardo. Ainda quero falar com ele pessoalmente. E acho que o problema não foi domingo nem segunda, e sim na terça-feira.

Segundo a polícia, os jogadores que estariam acompanhando Bernardo quando ele foi espancado no complexo de favelas da Maré, no último domingo, seriam Wellington Silva, do Fluminense, e Charles, ex-Cruzeiro, hoje no Palmeiras, ambos criados na comunidade. As informações da polícia dão conta de que Wellington Silva estaria na favela - e foi "chamado" quando os traficantes começaram a espancar Bernardo.

Nossa equipe esportiva também conversou com Charles por telefone. O volante primeiro soou evasivo:

- Estão aumentando muito isso aí. Não foi nada demais.

Depois, mudou um pouco o tom e negou saber de algum problema:

- Não aconteceu nada disso. Não sei de onde está surgindo isso. Não estou botando a mão na cabeça de ninguém mas não houve nada disso. O Bernardo vai lá normal, a minha vida toda foi lá... ele vai lá de vez em quando, mas desconheço isso aí. Se teve algo, eu não estava, mas acredito que não porque fico sabendo das coisas. Se teve... não estou sabendo de nada.

Atletas terão que depor

Segundo informações da polícia, no último domingo, Bernardo foi sequestrado e agredido por traficantes dentro do Complexo da Maré. O motivo teria sido o seu envolvimento com Dayana Rodrigues, supostamente uma das mulheres de Marcelo Santos das Dores, o Menor P, líder do tráfico no local.

Bernardo e Dayana teriam sido flagrados por bandidos na Favela Salsa e Merengue, e de lá levados para uma casa na Vila do João, onde teriam sido deixados nus, amarrados com fita crepe, torturados com choques elétricos e espancados.

Dayana levou sete tiros nas pernas, segundo a polícia, e apenas dois, de acordo com informação da Secretaria Municipal de Saúde. Depois, foi libertada e atendida no Hospital Santa Maria Madalena, na Ilha do Governador. De lá seguiu para o Hospital Souza Aguiar, onde passou por duas pequenas cirurgias e permaneceu até esta quinta-feira. O caso foi registrado na 37ª DP (Ilha do Governador) sob o registro de ocorrência 037-02705/2013 e está sendo investigado pela 21ª Delegacia Policial (Bonsucesso).

O delegado José Pedro Costa, titular da 21ª DP (Bonsucesso), intimou Bernardo e Wellington Silva a prestarem depoimento na delegacia. Além deles, a irmã de Dayana Rodrigues também será chamada.

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