20 de mar de 2013

Aldeir Tôrres

Flamengo pagaria a Dorival por ano o mesmo que recebe de seu maior patrocinador atual. 

O Conselho Deliberativo do Flamengo aprovou, em meados de janeiro deste 2013, um contrato de patrocínio de três anos com a Peugeot para exibir as marcas da montadora multinacional de origem francesa nas costas de seu uniforme.

 Em valores fixos, esse contrato renderá ao clube de maior torcida do País R$ 8,4 milhões no primeiro ano, R$ 9 milhões no segundo e R$ 10 milhões no terceiro.

 Como o Fla ainda não arrumou um contrato para o espaço master, o mais valioso, na frente da camisa, este da montadora ainda é o maior rendimento anual do clube com patrocínio na atualidade.

 E aí a imprensa divulga nesta semana que o salário de Dorival Júnior, que acaba de ser trocado por Jorginho, havia sido reajustado, por exigência do contrato firmado na gestão Patrícia Amorim, para algo entre R$ 700 mil e R$ 800 mil mensais.

 As fontes são tão diversas quanto imprecisas, mas vamos fazer algumas continhas, digamos assim, por baixo.

 Consideremos que o encaixe de Dorival tenha ido para R$ 700 mil por mês.

 Isso significaria que, se ele permanecesse por um ano no Fla ganhando esse caminhãozinho de dinheiro, embolsaria R$ 8,4 milhões - ou R$ 9,1 milhões, se houvesse 13º salario previsto em contrato.

 Se o encaixe mensal fosse de R$ 800 mil, Dorival levaria por ano R$ 9,6 milhões ou R$ 10,4 milhões, em caso de 13º salário.

 A comparação joga luz sobre um absurdo: quando um técnico é contratado para levar sozinho, por ano, um valor igual - ou até maior - do total pago no mesmo período pelo maior patrocinador do clube é porque alguma coisa muito importante está muito, mas muito errada na gestão desta casa.

 Nada contra o educado Dorival Júnior, que, embora ainda não seja um treinador do primeiro time brasileiro, tem o sagrado direito de se valorizar e, como qualquer profissional, buscar o maior rendimento possível.

 Tenho muita coisa contra é quem aceita pagar esses absurdos, essas insanidades.

 Não há possibilidade de explicação aceitável para um treinador tirar de um clube, por ano, tudo o que ele arrecada com o que deveria ser o seu segundo patrocínio. E muito menos um valor superior.

 E não nos iludamos: isso vale para a gestão do Flamengo e de qualquer clube do Brasil. E do mundo.

 E olhe que os ditos R$ 300 mil mensais pagos a Jorginho não são exatamente uma mixaria...

 Depois ficamos a nos perguntar por que entra tanta grana nos principais clubes brasileiros e eles continuam a não ter, jamais, dinheiro para nada.

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