26 de fev de 2013

Walcineia Almeida

'Estou sem chão', lamenta mãe de torcedor corintiano preso na Bolívia

A confissão do menor H. A. M., suposto autor do disparo de sinalizador que matou o adolescente boliviano Kevin Espada, não alterou a situação dos 12 torcedores corintianos presos em Oruro, indiciados após a tragédia no jogo com o San José, na quarta-feira. Enquanto isso, familiares estão preocupados com a situação enfrentada pelos brasileiros na Bolívia. 


A mãe de Rafael Almeida, Walcineia Almeida, é uma dessas pessoas. Em Praia Grande-SP, ela conta que tem se comunicado com o filho graças a um orelhão dentro do presídio, onde os presos podem falar ao telefone entre as 10h e as 17h.

- Como mãe, estou sem chão. Não tem nem explicação. Estou preocupada por causa do braço dele. Ele passou por uma cirurgia e está com pinos na mão. Estou indo hoje ao médico buscar uma carta para enviar ao consulado explicando a situação dele - afirmou.

Segundo Walcineia, Rafael se machucou após dar um soco na parede. Com o impacto, ele rompeu os ligamentos e precisou passar por uma cirurgia. O jovem precisou colocar três pinos, além de uma placa.

- Ele precisava ter feito curativos, mas ainda não fez. Ele me disse que vem sentindo muita dor no braço. Mas uma moça, que é esposa de um dos que estão presos com ele, comprou medicamentos para o Rafael. Ele também reclamou de falta de ar por causa da altitude. É muito diferente daqui.

Apesar de a situação dos torcedores ter melhorado após a confissão do menor, Walcineia comentou que os presos têm se alimentado só com bolachas. Ela também informou que a torcida organizada Gaviões da Fiel enviou roupas para eles.

A mãe ainda não conseguiu falar com Rafael nesta terça-feira. Ela disse não entender as leis bolivianas, mas mantém a fé na liberação do filho e dos outros torcedores.

- Eu não entendo que lei é essa. Se ele fosse culpado, nós já ficaríamos tristes, mas ele foi pego só porque estava próximo ao menino que morreu. Mas eu vou manter a fé na justiça de Deus. A dos homens não dá para acreditar, mas vou confiar em Deus.

Walcineia também contou que seu filho esteve muito apavorado nos primeiros dias e que chegou a chorar. Ela pensou em ir até a Bolívia, mas Rafael pediu para ela aguardar até quarta ou quinta-feira, quando os brasileiros poderiam ser liberados. Caso isso não aconteça, ela tentará unir as famílias para tomar alguma atitude.

- Eu irei até o consulado em São Paulo. Vou tentar reunir as famílias. Eu não as conheço, já que muitas delas são de lá. Mas vou tentar unir todos para fazer algo.

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