22 de fev de 2013

Pistorius

 segue preso e detetive de caso é trocado

Pelo terceiro dia seguido, o tribunal que julga Oscar Pistorius, acusado de premeditar o assassinato de sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp, morta a tiros na madrugada do último dia 14, adiou nesta quinta-feira (21) o julgamento do pedido de fiança da defesa do astro paraolímpico, que desta forma seguirá preso na delegacia em que está sob custódia em Pretória, na África do Sul.

Reeva Steenkamp foi assassinada com quatro tiros no banheiro da suíte do casal, na casa do atleta sul-africano, que alega ter feito os disparos de forma acidental na namorada por ter supostamente achado que se tratava de um invasor que teria entrado em sua residência.

A defesa de Pistorius, porém, conseguiu nesta quinta-feira (21) o que pôde ser considerado uma vitória sobre a promotoria. A chefe da polícia sul-africana nomeou um novo investigador chefe para o caso, depois da revelação feita nesta quinta-feira de que o primeiro detetive, Hilton Botha, está enfrentando uma acusação de tentativa de homicídio, em incidente ocorrido em outubro de 2011. Ele tem a sua presença em um tribunal agendada para maio, em razão de sete acusações de tentativa de homicídio no ocorrido, quando o investigador e outros dois policiais dispararam contra um ônibus de pequeno porte que tentavam deter naquele episódio.

Riah Phiyega, chefe da polícia sul-africana, disse que o tenente Vinesh Moonoo se tornou o novo encarregado de chefiar as investigações do caso. Ela destacou que o caso de Pistorius deve "receber a atenção de todo o país" e que o escolhido para a missão "montará uma equipe de talentosos e experimentados detetives". E ainda destacou que Moonoo é o "melhor detetive" da África do Sul.

Antes de ser oficialmente substituído nesta quinta-feira, Botha havia se manifestado contra o pedido de liberdade de Pistorius, em audiência na última quarta (20), quando disse que o atleta solto representaria um "risco à sociedade" e alegou que o mesmo poderia tentar fugir da África do Sul se fosse colocado em liberdade.

O investigador também teve a sua competência colocada em xeque depois de a Promotoria do Ministério Público da África do Sul ter afirmado, também na última quarta, que houve um erro testemunhal de Botha quando o policial informou que foram encontradas caixas com testosterona no quarto do atleta. Medupe Simasiku, porta-voz do órgão nacional, disse que é muito cedo para identificar a substância achada no local como testosterona até que a mesma seja submetida a testes de laboratório que comprovem, de fato, qual ela é.

O advogado de Pistorius, Barry Roux, disse na audiência de quarta-feira (20) que o conteúdo das caixas "não é um esteroide e nem uma substância proibida", depois de a revelação da polícia ter levantado a possibilidade de o atleta biamputado ter feito uso de doping para melhorar o seu rendimento esportivo.


Botha ainda foi acusado por Roux de "contaminar a cena do crime" ao caminhar com sapatos sem proteção sobre o chão da casa de Pistorius. E o próprio investigador admitiu que deveria ter tomado este cuidado. E esta série de deslizes, somada principalmente ao fato de que o policial enfrenta acusações de homicídio, acabou resultando em sua substituição no caso envolvendo o astro paraolímpico.

Pistorius, que enfrentará nesta sexta-feira o quarto dia seguido de audiência no tribunal de Pretória, é considerado um ícone do esporte e fez história ao se tornar o primeiro biamputado a disputar uma edição da Olimpíada, no ano passado. Correndo com protestes nas duas pernas, ele representou o seu país nas provas dos 400 metros e do revezamento 4x400 metros dos Jogos de Londres. E, em três participações em Jogos Paraolímpicos, conquistou oito medalhas, sendo seis delas de ouro.

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