28 de fev de 2013

Pacaembu quase vazio

O egoísmo do quarteto prejudicará o clube
Armando, Karina, Milton e Rodrigo.

Consumidores que enfrentaram a Conmebol?

Ou egoístas que prejudicaram o Corinthians?

Essas eram as perguntas que ficaram no Pacaembu vazio.

Tite, jogadores e dirigentes sorriam preocupados.

Nem pareciam que o time havia vencido o Millonarios por 2 a 0.

Superado o terrível silêncio do Pacaembu.

Quase vazio, já que essas quatro pessoas resolveram enfrentar a Conmebol.

Usar a Justiça Comum para driblar a Justiça Desportiva.

Acreditavam estar exercendo o seu direito como cidadãos.

Cidadãos podem ser.

Mas se esqueceram do bom senso.

As consequências ficarão para o Corinthians.

Não abriram mão de ver o jogo nem depois de várias reuniões.

Os dirigentes jurídicos e do departamento de futebol imploraram.

Pediram várias e várias vezes que não entrassem no estádio.

O Corinthians já está sendo punido preventivamente pela Conmebol.

Pagando pelo erro de torcedores da sua organizada em Oruro.

Disparam um sinalizador que matou o menino Kevin Beltrán de 14 anos.

Enquanto não julga definitivamente o caso, a Conmebol determinou.

O Corinthians teria de atuar em São Paulo com portões fechados, sem torcedores.

O mesmo vale para partidas fora do Brasil, apenas com torcedores adversários.

Uma decisão esportiva.

A direção do clube avisou aos seus torcedores.

Devolveria o dinheiro ou poderia trocar os ingressos para próximos jogos.

Mais de 30 mil pessoas que compraram ingressos antecipadamente entenderam.

Só que nove corintianos procuraram a justiça comum.

E conseguiram uma liminar.

Nela estava escrito que a punição da Conmebol feria o Código de Defesa do Consumidor...

O Estatuto do Torcedor e o direito de ir e vir.

A decisão é da 7ª Vara Cível de São Paulo.

Foi proferida pelo juiz de Direito Antonio Carlos de Figueiredo Negreiros.

Dos nove que foram ao Pacaembu, cinco foram convencidos pelos dirigentes.

Com medo de prejudicar o Corinthians, abriram mão de ver o jogo.

Os outros quatro, não.

Se mantiveram firmes.

Os dirigentes jurídicos corintianos ficaram desesperados.

Eles tinham a certeza que a Conmebol fará uma retaliação.

A notícia chegou ao vestiário.

O diretor adjunto de futebol, Duílio Monteiro Alves saiu de lá.

E foi tentar conversar com os torcedores.

Insistiu, falou que o Corinthians seria punido.

Apelou ao amor do quarteto ao clube.

Mas eles não abriram mão.

O líder era Armando.

Se mostrava até irritado.

Ainda mais quando questionado.

Se não poderia prejudicar o clube que diz amar.

"Sou advogado!

E estão me pedindo para eu não cumprir a lei deste país?

A lei tem de valer!

Se eu não entrar (no Pacaembu) vou ter de rasgar e jogar fora a minha carteira (da OAB)."

E os outros três seguiram o advogado.

O clima era de inconformismo e medo dos dirigentes corintianos.

Não imaginavam que os torcedores procurariam a justiça comum.

A legislação da Fifa prevê sérias punições a quem toma essa atitude.

Mas a dirigentes e jogadores que desprezarem a justiça esportiva...

E buscarem a justiça comum.

A alegação de Armando foi simplista.

A de que os torcedores reivindicavam o direito do consumidor.

Compraram os ingressos antecipadamente e quiseram ver o jogo.

Como se não tivessem ligação ou preocupação ao Corinthians.

A leitura dos dirigentes é que foi um ato tolo de rebeldia.

Na verdade, puro egoísmo.

Estava claro na determinação da Conmebol.

Os portões deveriam estar fechados e o Pacaembu vazio.

Sem torcida.

"Esses torcedores conseguiram liminares.

E vão ver o jogo.

Mas são responsabilidade do Corinthians.

O estádio deveria estar vazio.

O fato será relatado.

A Conmebol previa que a partida não deveria ter torcida.

O Corinthians sabia.

É minha obrigação relatar", dizia o delegado do jogo, Dario Goez.

Nas redes sociais, milhares de corintianos ficaram revoltados.

E passaram a criticar a atitude do quarteto, com palavrões e ameaças.

Por sinal, durante boa parte do jogo, ficaram de olhos grudados nos seus celulares.

Talvez avaliando nas redes sociais o que fizeram.

Dentro de campo, Tite conseguiu que o Corinthians dominasse o adversário.

Fez bem para o time as entradas de Renato Augusto e Pato.

A equipe esteve muito mais concentrada, firme.

Rápida, solidária.

Fez seu melhor jogo em 2013.

O Corinthians marcou a saída de bola dos colombianos.

Com vontade, raiva.

E expôs a fragilidade técnica do rival.

Paulinho se desdobrou e teve uma ótima atuação.

Dominou as duas intermediárias.

Ralf liberou as descidas de Alessandro e Fábio Santos.

Guerrero colocou o Corinthians em vantagem logo aos sete minutos.

Renato Augusto cobrou escanteio, a bola bateu em Paulinho...

E sobrou para a rápida virada do peruano.

1 a 0, aos nove minutos.

Mesmo sem torcida, o time brasileiro manteve o foco.

Não foi incomodado.

Perdeu algumas chances de ampliar no primeiro tempo.

Ágil e inteligente, Pato abria espaço entre a zaga.

Para ele e para os companheiros.

Sua atuação foi recompensada.

Logo no início do segundo tempo, escorou cruzamento de Ralf.

Corinthians 2 a 0, aos três minutos.

Por instinto, Pato correu em direção às arquibancadas.

Mas elas estavam vazias.

Depois a equipe tratou de administrar o jogo.

A expulsão de Martínez aos 31 minutos deixou Tite ainda mais calmo.

Ele tratou de tirar Renato Augusto, Pato e Danilo.

Colocou Douglas, Emerson e Romarinho.

Sabia que a vitória estava assegurada.

O time ganhou a sua primeira partida na Libertadores em 2013.

Mas o clima nos vestiários era de tensão.

A sensação de todos é que os quatro torcedores sabotaram o plano do clube.

O Corinthians iria entrar com sua defesa do caso Kevin Beltrán hoje na Conmebol.

Queria que o julgamento da Comissão Disciplinar fosse apressado.

Mas está claro que Rodrigo, Armando, Milton e Karina atrapalharam.

A presença dos quatro foi um enfrentamento desnecessário.

Que outra vez um ato de torcedores ficará na conta corintiana.

Assim como o sinalizador que matou o menino Kevin.

Os clubes são responsáveis pelos atos de sua torcida na América do Sul.

A partir deste ano, a legislação mudou.

O clube tem tudo para ser punido novamente.

"Até porque se três conseguiram liminar...

No próximo jogo, 30 mil podem conseguir.

E como fica a punição da Conmebol?"

Perguntava o diretor de futebol, Roberto de Andrade.

Ele sabe que a atitude do quarteto vai estimular outros corintianos.

E devem fazer a mesma coisa.

O clube havia vendido 83 mil ingressos antecipadamente para os jogos da primeira fase.

A próxima partida será contra o Tijuana, no dia 13 de março.

Rodrigo, Armando, Milton e Karina não fizeram um bem ao Corinthians.

Nem a eles mesmos.

Só mostraram um egoísmo incompreensível.

Usaram a justiça comum mas não o bom senso.

Ganharam seus 15 minutos de fama.

Mas quem pagará por isso será o Corinthians.

Os sobrenomes do quarteto serão omitidos aqui.

Opção minha.

Acredito que os torcedores de verdade ficaram na Praça Charles Miller.

Vibrando com os gols que ouviam pelos rádios.

Gritavam tentando ser ouvidos pelos jogadores.

E mais os milhares que compraram ingresso e não foram ao estádio.

Rodrigo, Armando, Milton e Karina...

Pensam que desmoralizaram a Conmebol.

Fizeram valer os R$ 870,00 que pagaram pelas quatro numeradas.

Mas tudo o que conseguiram foram expor o Corinthians à nova punição.

Ir ao Pacaembu não foi demonstração de paixão.

Mas inconsequente egoísmo.

Colocaram sua vontade à frente da necessidade do Corinthians.

O entregaram de bandeja para nova punição.

Viraram às costas às súplicas da diretoria.

Que amor é esse?

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