25 de fev de 2013

H. A. M

De rosto coberto, menor se entrega por morte de adolescente boliviano

De rosto coberto pelo boné e pelas próprias mãos, o jovem H. A. M., de 17 anos, se apresentou na tarde desta segunda-feira na Vara da Infância e da Juventude, no centro da cidade de Guarulhos, para assumir a autoria do disparo do sinalizador que atingiu e matou o adolescente boliviano Kevin Beltrán Espada na noite da última quarta-feira, durante a partida entre Corinthians e San José, em Oruro.

O adolescente apareceu na Vara da Infância no carro do advogado da Gaviões da Fiel, Ricardo Cabral, sentado no banco da frente. Acompanhado pela mãe, ele começou a dar seu depoimento por volta das 15h30 na sala da promotoria localizada no terceiro andar. Ele deve ser liberado ainda nesta segunda-feira (até as 19h). Depois de ouvir o menor, o promotor Gabriel Rodrigues Alves irá confrontar as informações para decidir qual encaminhamento dará ao caso.

Repórteres, fotógrafos, cinegrafistas e curiosos se acumularam no local para esperar a chegada do jovem, que voltou ao Brasil de ônibus no último sábado. Em entrevista ao "Fantástico", no domingo, ele afirmou ser o responsável pela morte de Kevin.

O jovem é associado da torcida organizada há dois anos e estava na arquibancada destinada aos visitantes no estádio Jesús Bermúdez. Segundo Cabral, ele gostaria de ter se entregado na Bolívia depois que 12 corintianos foram presos, mas por estar sob responsabilidade da torcida, foi decidido que ele seria entregue à sua mãe. Havia temor por sua integridade física em caso de confissão na Bolívia.

A versão do advogado é que o garoto ficou em choque e muito preocupado após o disparo acidental do sinalizador naval. Cabral diz que o artefato foi comprado num camelô, no centro da cidade de São Paulo, e levado para a Bolívia. Ainda de acordo com o advogado, todos os objetos apreendidos eram de H. A. M..

- Aqueles sinalizadores apreendidos pertenciam ao menor brasileiro. Ele abandonou a mochila porque estava sendo hostilizado por membros da Gaviões, se afastou e depois retornou em outro lugar na arquibancada. Foi quando os policiais vieram e apreenderam mochilas, bandeiras - disse o advogado.

Em Oruro, dois torcedores foram indiciados como autores do crime por portarem sinalizadores: Cleuter Barreto Barros e Leandro Silva de Oliveira. Os outros dez estão acusados como cúmplices. A expectativa da Gaviões é que a confissão amenize a situação dos brasileiros detidos - um deles, Tadeu Macedo Andrade, é diretor da torcida -, mas o embaixador do Brasil na Bolívia afirmou que o cenário, ao menos inicialmente, não deve ser alterado.

H. A. M. não pode ser extraditado, mas é provável que as autoridades bolivianas queiram participar da investigação, que será feita no Brasil. Ricardo Cabral afirma ter como provar que o menor foi mesmo o autor do disparo e que a confissão não se trata de uma estratégia para tentar que os torcedores sejam soltos em Oruro.

O advogado garante que ao comparar a identidade e a foto do jovem em sua ficha cadastral com a imagem ampliada do vídeo feito por uma emissora de televisão boliviana, que mostra de onde teria saído o sinalizador, não restará dúvidas que se trata de seu cliente.

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