9 de fev de 2013

Estádios novos, caros, vazios

e gente querendo entrar. É possível fechar a conta?
Novos estádios estão sendo erguidos. Com eles, mais conforto, mais modernidade, mais custos e, no fim das contas, ingressos mais caros. Recai sobre o torcedor pagar a conta de um serviço (que deveria ser) melhor. A equação pode gerar desde mais receitas até distanciamento de um público genuinamente torcedor, passando por estádios vazios por falta de gente disposta a pagar o preço que se considera ideal.

O aumento de preço do ingresso na Inglaterra levou o país a ter um novo público nos estádios. Mais comportado, menos torcedor, mais teatral. Foi uma das medidas importantes no combate à violência. Hoje a Premier League tem mais de 90% da capacidade dos estádios ocupada, mas também muita gente que não consegue torcer pelo seu clube no estádio.

Em um país como o Brasil, com problemas econômicos e sociais, parece bastante difícil que a grande “massa” de torcedores consiga pagar 10% de um salário mínimo apenas pelo ingresso de um jogo.

O clube precisa de dinheiro e o torcedor quer ir ao estádio. Uma boa arrecadação e uma arena vazia não é a conta ideal e mostra como ainda é possível evoluir no que oferecer ao seu público. É possível fidelizar o torcedor e se cobrar preços mais baratos dos mais assíduos, como faz o Corinthians, utilizando o Pacaembu (estádio que não se enquadra no padrão de conforto e modernidade). Outros clubes também possuem sistemas de sócios, garantindo receita fixa para a temporada. Para que valha a pena ser sócio, o ingresso avulso tem seu preço bastante elevado.

Em linhas gerais, o torcedor que não tem dinheiro para se comprometer com a mensalidade de um sócio-torcedor também terá dificuldade de pagar um ingresso avulso. Este torcedor, que compõe a massa (e ajudou a criar a identidade de vários clubes) é deixado de lado.

O São Paulo se aproximou do equilíbrio: um setor do Morumbi com ingressos a 10 reais. No Engenhão, o setor norte tem o mesmo valor. Em 2009, o Atlético cobrava entre dois e cinco reais pela geral. Estádios grandes como Morumbi, Mineirão, Castelão e Maracanã possibilitam esse tipo de ação.

Outra alternativa interessante é, antes do início da temporada, dizer ao seu público quanto custará ir ao estádio. O Barcelona classifica os jogos no Camp Nou em quatro categorias. A, B, C e D. Sendo que a o A+ e A ++ para jogos decisivos e clássicos com o Real Madrid. O ingresso mais barato da categoria D custa 19 euros e o mais barato do A++ sai por 98.

O torcedor pode se planejar. Se tem condição de ir só em jogos mais baratos, terá consciência, antes do início da temporada do quanto vai pagar e em que partidas poderá acompanhar seu time, dentro do orçamento que possui. É mais justo do que inflacionar os preços, sem critério ou prévio aviso, se a equipe estiver bem dentro de campo ou derrubar os preços para que a torcida compareça em um momento difícil. No fim das contas, com o Euro a R$2,75, é mais barato ver Messi, Xavi e Iniesta contra o Celta que o Cruzeiro contra o América de Teófilo Otoni.

O desafio dos clubes hoje não deve ser somente ganhar mais dinheiro cobrando um preço exorbitante. Em grandes jogos, clássicos e decisões é fácil encher o um estádio. E quando o estádio tem 20 mil torcedores, mas poderia ter 60? O que fazer com 2/3 sem ocupação e que poderiam resultar em mais receita para o clube e satisfação para o torcedor? O que  fazer nos jogos médios e pequenos, que representam a maioria, é o ponto a ser atacado.

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